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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

“Pé de Orelha” com o Sr. Pé-de-Vento





“Pé de Orelha” com o Sr. Pé-de-Vento

Dicas para a Felicidade

Durante a celebração anual que fazemos em honra do nosso Pai Pé-de-Vento o “Fundamento” foi-lhe pedir que partilhasse com todos vós, os que frequentemente falam com ele, mas, principalmente com os que nunca o fizeram, alguns momentos de reflexão.
Depois de lhe ser exposta a nossa intenção, a reacção não se fez esperar: “Está anervosada, filha?” Sim, um pouco. Sou algo perfeccionista!” “Não é nada, filha. Perfeito é só Deus. E sabe
porquê, filha? Porque ninguém o vê, porque senão também lhe apontavam o dedo…(risos)

Serenado o nosso espírito com esta pequena ajuda do Pai, começamos a nossa conversa. Aqui vai o resultado desse Pé de Orelha.

… sobre responsabilidade...

Todo o ser humano se acha uma vítima, “os outros é que têm a culpa”. A falta de responsabilidade é tão grande que as voltas que temos de dar para chegar onde temos de chegar acabam por ser muito grandes.
Às vezes as pessoas não conseguem mesmo enxergar. Muitos vêem apenas as dificuldades de passar pelas coisas, aí tem o trabalho do baiano, o trabalho do caboclo, o trabalho do Exú e depois disso tudo, mesmo assim, as pessoas mantêm o que as trouxe até aqui “O problema está nos outros”. Em vez de procurar nos outros, se formos à procura acabamos por encontrar os caminhos!

… sobre o que vê quando olha a corrente e a assistência...

Vejo pessoas como toda a gente (risos).
Pessoas carregadas de infortúnios; pessoas cheias de esperança de resolver os seus problemas; pessoas com alegria porque se sentem em casa; pessoas que saem daqui pondo na boca dos guias palavras que eles não disseram e ainda os que não conseguem ver o que fazemos e saem daqui “mangando” de nosso trabalho.
Há os que têm a esperança de vencer e que tentam por em prática as palavras que
ouvem. Quando às vezes as coisas não correm bem, uns insistem e outros desistem.

… sobre a Vida...

A Vida não é para desistir. Quando desistimos morremos um pouco por dentro. Às vezes vemos pessoas tristes porque partes dessas pessoas morreram, não por não terem tentado, mas por não terem conseguido o sucesso e depois perderam a confiança em si próprios. Temos de levar a esperança dentro de nós. Temos de olhar para o mundo com esperança.

… sobre os Elementos...

Existe uma chama dentro de nós, a chama da mudança para a transformação: o Fogo. Para fazer qualquer coisa é preciso Força, Calor, Calor Humano. O Fogo é a Chama da Vida, correcção que transforma as coisas e, como disse Exú, por mais que exista o frio não podemos deixar o Fogo apagar.
O Fogo aquece a Terra e dá a Vida. É como a Água. O que significa a Água? Significa a Grande Mãe, a Maternidade, a Esperança. Entre o Fogo e Água tem de haver equilíbrio, mas o Fogo é o que nos movimenta para continuarmos a guerrear e por isso não pode apagar. A Água, por
sua vez, é a Emoção, o sentimento do Amor e do Carinho.
É preciso haver equilíbrio porque foi através desse equilíbrio entre os elementos que se deu a Geração da Vida na Terra: uma parte veio do Ar e outra do Fogo; o mesmo que vive muito próximo da Terra e do aspecto terreno que molda e que nos dá a Força e a direcção. O Fogo aqueceu os vapores da Terra e da junção de todos eles – Fogo, Água, Ar e Terra - nasceu a Vida.
De todos os elementos, O Ar é o mais espiritual, porque é aquele que não se vê. Tal como nas nossas vidas, não vemos o Invisível a menos que venha com movimento, como quando sentimos a brisa esentimos mais harmonia dentro de nós.
Daí a importância do equilíbrio, os desequilíbrios emocionais e físicos só surgem quando não sabemos viver.

… sobre o Destino e o Livre Arbítrio...

O Destino existe? Se o destino existisse da forma que vocês falam, o Divino não podia existir. Algumas coisas existem e o Destino existe de algumas maneiras, por exemplo sob a forma de
sentimentos e emoções, no amor-próprio, nas necessidades materiais. Mas nós temos escolha. Não há um sítio onde esteja escrito qual seria o sentido do espírito passar na Terra. O nosso Destino é um livro que escrevemos.
Temos que olhar para a Vida como para um livro em que o final depende de como o escrevemos
porque somos os escritores da nossa vida. Tal como acontece com aquelas pessoas que escrevem as situações que vivem, tudo o que lhes acontece, só que o final será como o escrevermos e cabe-nos a nós escrever um final feliz.
Quando o livro é bom nunca acaba, há sempre um segundo livro, tal como há sempre uma segunda vida.
Aquelas pessoas que não conseguem ver a alegria, a felicidade e põe sempre problemas em tudo não conseguem escrever um final feliz, por isso as encarnações existem e são aprendizado. Quando as situações do livro se repetem é porque não houve aprendizagem.
… sobre o respeito devido aos mais velhos...

Existem espíritos nascendo na Terra que ainda não escreveram o seu livro, por isso é tão importante o respeito pelos mais velhos. Eles trazem conhecimento e sabedoria., também trazem mais espiritualidade e temos muito que aprender com os espíritos mais sábios. Isto não
quer dizer que os mais velhos daqui são os mais sábios de todos. Não, as crianças também são muito sábias. É algo que dizemos, os espíritos encarnados na Terra têm mais conhecimentos sobre a Terra, mas não têm mais conhecimento espiritual do que os espíritos mais novos. Quando falo em espíritos mais velhos, refiro-me àqueles que já escreveram os seus livros.
… sobre as responsabilidades de quem trabalha na “Seara Divina”...

Trabalhar com mais pessoas traz uma responsabilidade maior… ou exige que se trabalhe com mais médiuns. Também é preciso que se usem menos palavras e que estas façam mais sentido. É preciso exigir cada vez mais que os espíritos sejam exigentes para conseguir tocar nas consciências das pessoas para que elas consigam encontrar o seu caminho
... sobre “até onde vai esta casa”...

Qual é o destino desta casa? Ele está
nas mãos do trabalho que vocês fazem hoje. Cresçam para despertar consciências.
Libertem-se do material e trabalhem para despertar o equilíbrio e a consciência das pessoas para que assim elas vivam melhor e possam passar essa mensagem para os outros.
Tudo depende deste Pai e destes Filhos, se eles continuam a acreditar e a procurar um mundo melhor e a trazer Aruanda para o planeta Terra. Aruanda também faz parte da Terra, mas é um local de aprendizagem um pouco mais evoluído.
Aonde esta casa vai chegar não se sabe, o que interessa é a emoção e o equilíbrio de cada um de vocês. Quando caem, há sempre alguma coisa que vos faz levantar. Balançar faz parte dessa caminhada. Podemos cair, somos humanos, mas levantamo-nos de novo! Mas principalmente quem trabalha na Seara Divina não pode deixar cair os outros.
Alguns caem, babalaôs, babalórixás, pastores, padres, todos esses que falam muito bonito, que dizem que as pessoas têm de conseguir e que acham que são a verdade das suas palavras. Lutem para que as palavras façam parte das vossas vidas. A magia das palavras só acontece quando
conseguimos transmitir aos outros a humildade de saber ouvir.

… para finalizar...

Cada Orixá ensina alguma coisa, Fé, Amor, Justiça, Família, Conhecimento, Ordem, Evolução. Os Orixás podem ser muita coisa, mas eles só fazem sentido, só significam Vida quando estão vivos no coração dos homens. Aí, cada Orixá se manifesta para as coisas boas da nossa vida.
Mais importante do que serem como essas pessoas que falam bonito é que caminhem com as palavras que dizem, que respirem e vivam delas porque é isso que vai fazê-los felizes e muitas vezes os passos que damos na Terra são os que acabam por contar.
Lembrem-se que as pessoas não seguem palavras, seguem acções!

Fernanda Moreira - A.T.U.P.O. - Jornal Fundamento, Edição 8

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

fé cega, fé racional e Fé


Muitas vezes nos deparamos com autores e palestrantes, das mais diferentes agremiações religiosas afirmando que há duas formas de fé: a cega e a racional. Porém, nenhuma das duas é realmente Fé, mas simulacros de Fé e, talvez por isso mesmo, precisem de adjetivos. No caso da fé cega, é fácil percebê-la no discurso daqueles que pensam Deus como algo que vai realizar nossos desejos, como se fosse um "gênio da lâmpada". Essa fé cega aparece em vários movimentos esotéricos e em setores do movimento evangélico. São aqueles que dizem que se você pensar em um colar de diamantes o "universo" vai trazê-lo até você ou quando fica doente diz que não vai procurar um médico porque acredita que Deus vai curá-lo. Um outro exemplo de fé cega pode ser visto no motorista que diante de um alagamento da marginal Tietê, em São PAulo, diz que Deus vai fazer o carro atravessar e fica parado no meio, tendo o carro encoberto pela água. Estes são alguns exemplos de fé cega. Deus é um escravo disponível 24 horas para realizar nossos desejos, dos mais mesquinhos aos mais solidários, mas que continuam sendo os nossos desejos.

Porém, a fé racional, é o outro lado dessa moeda. É a fé de Tomé, que precisa ver para crer. Nem sempre é preciso ver, mas encontrar uma explicação racional para um fato desagradável como é comum em centros espiritistas onde é possível se consultar com "entidades". Nesses casos é comum encontrarmos pessoas que chegam bufando de raiva porque aconteceu algo desagradável e quando a "entidade" explica que em uma vida passada ela fez isso ou aquilo e por causa disso foi necessário passar por uma determinada vicissitude negativa, a pessoa entende racionalmente a situação e aceita, parando de sofrer ou de sentir raiva. Como afirmei, essas duas formas acima de fé são simulacros da Fé, mas trazem, obviamente, elementos que permitem que se transforme em uma verdadeira entrega aos designios de Deus, compreendendo que nada acontece em nossa vida que não contenha a oportunidade de aprender, seja a paciência em uma situação desagradável ou não ficar eufórico em uma agradável. A Fé não necessita de crença ou de racionalização, é vivida intensamente, é uma entrega e uma confiança plena a essa força superior que nos guia e que não existe para satisfazer o nosso ego, mas para realizar o que precisamos vivenciar, seja negativa ou positivamente, dentro do parâmetro estreito do nosso ego. Assim, quando passamos por uma vicissitude negativa, não é preciso pensar que está colhendo o que plantou, mas quem tem Fé agradece sempre a Deus pela oportunidade de tirar algum proveito espiritual daquela situação, aprendendo a ser mais paciente, compreensivo, a perdoar ou mesmo que não se deve agir daquela forma, fazendo aos outros apenas aquilo que gostaríamos que os outros fizessem conosco, mas sem precisar lamentar, espernear etc. Em alguns casos é necessário ser enérgico, mas essencialmente amoroso, pois nem todos estão preparados para serem livres, porém responsáveis. Enfim, a Fé é um sentimento inerente ao espírito e quando desperto se transforma em uma energia de grande intensidade que transforma a vida cotidiana de quem a vivencia e que não cabe nos limites estreitos do ego ou de sua cegueira ou racionalidade.

Adilson Marques

terça-feira, 28 de junho de 2011

Homenágem a Yemanjá


Dia 25 de Junho de 2011

Mais um dia histórico para a A.T.U.P.O., mais uma Homenagem a Yemanjá, onde a Partilha, o Amor, o Respeito, a Fé e como sempre uma mão cheia de novidades e bênçãos dos céus que nos dão cada dia que passa uma certeza de trilhar no caminho certo e uma vontade enorme de continuar a ser quem somos e da maneira que somos.

Foram horas maravilhosas de convívio com guias , com entidades, com irmãos, com amigos e até estranhos e curiosos que passavam na praia e que de admiração tinham tanto como nós de ALEGRIA E PRAZER POR FAZER AQUELE TRABALHO.

Bem hajam os guias que nos vieram abençoar, bem hajam as pessoas que estoicamente e sobre um sol abrasador nos acompanharam e bem haja MÃE YEMANJÁ por todo o Amor derramado por estes teus filhos.

SALVE MÃE YEMANJÁ

SER BOM MÉDIUM


Ser bom médium

Já muito se falou e escreveu acerca da mediunidade. No entanto, tanto médiuns de trabalho como consulentes colocam muitas vezes a questão: “O que é necessário para ser um bom médium?”

Não querendo criar uma “receita” para algo que depende do esforço, empenho e dedicação de cada um, é inquestionável que o bom e correcto exercício da mediunidade exige que o médium cultive em si mesmo um conjunto de valores e atitudes como a Fé, o amor, a honestidade e rectidão, a humildade e a responsabilidade.

Mas, para além destes valores, existe um outro aspecto essencial para o crescimento do médium – o conhecimento. Conhecer as normas de funcionamento do Templo, a ritualística ou os pontos cantados não basta para se ser um bom médium de trabalho. A busca do conhecimento sobre a religião e seus fundamentos, sobre a espiritualidade, as Entidades, suas linhas de trabalho e forma de actuação, ervas e banhos, e principalmente sobre o ser Humano e a vida deve ser constante e é fundamental para um bom crescimento do médium, enquanto instrumento de trabalho dos Guias e Orixás.

O conhecimento permite a compreensão e o entendimento, que, por sua vez, geram a consciência, a qual se transforma em amor. O médium que adquire maior consciência sobre a espiritualidade e sobre a vida aumenta a sua capacidade de amar o próximo e a si mesmo, tornando mais forte a sua conexão com o Divino e, consequentemente, mais firme e equilibrada a ligação com as Entidades com quem trabalha. O conhecimento do médium é uma mais-valia para os Guias que o utilizam como ferramenta no trabalho espiritual. É claro que para esta conquista de consciência não basta o conhecimento teórico, é necessária também a prática. Além de estudar, o médium deve ser activo e participativo nos trabalhos do Templo.

A reforma de princípios e valores juntamente com a busca do conhecimento são fundamentais para o crescimento do indivíduo, não apenas como médium, mas também como ser Humano, sob pena de estagnar na sua caminhada.

Que Oxalá abençoe e ilumine a todos.

Bernardo Cruz , A.T.U.P.O.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

LENDA DE OXÓSSI


A cada ano, após a colheita, o rei de Ijexá, saudava a abundância de alimentos com uma festa, oferecendo inhame, milho e coco. O rei comemorava com sua família e seus súditos, só as feiticeiras não eram convidadas. Furiosas com a desconsideração, enviaram à festa um pássaro gigante que pousou no teto do palácio, encobrindo-o e impedindo que a cerimônia fosse realizada.

O rei mandou chamar os melhores caçadores da cidade. O primeiro tinha vinte flechas. Ele lançou todas elas, mas nenhuma acertou o grande pássaro. Então o rei aborreceu-se e o mandou embora. Um segundo caçador se apresentou, este com quarenta flechas, o fato se repetiu novamente e o rei mandou então prendê-lo.

Bem próximo dali vivia Oxóssi, um jovem que costumava caçar à noite, antes do sol nascer, ele usava apenas uma flecha vermelha. O rei mandou chamá-lo para dar fim no grande pássaro. Sabendo das punições imposta pelo rei aos outros caçadores, a mãe de Oxóssi temendo pela vida do filho, consultou um babalaô, e os obis mostraram que, se fosse feita uma oferenda para as feiticeiras ele teria sucesso.

A oferenda consistia em sacrificar uma galinha. Nesse exato momento, Oxóssi deveria atirar a sua única flecha. E assim o fez, acertando o pássaro bem no peito ferindo-o de morte. O rei agradecido pelo feito, deu ao caçador metade de sua riqueza e a cidade de Keto, “ terra dos panos vermelhos”, onde Oxóssi governou até a sua morte, tornando-se depois um Orixá.


In "Mitologia dos Orixás"de Reginaldo Prandi, Ed. Companhia das Letras.

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Esta lenda mostra claramente que a energia de Oxóssi está ligada à fartura, à prosperidade. É Oxóssi que, com o seu tiro certeiro, mata o pássaro gigante, pousado no teto do palácio, permitindo assim que continue a celebrar-se a abundância de alimentos e recebendo em troca metade da riqueza do rei e uma cidade.

É Oxóssi que, com a sua flecha, providencia para que nada falte ao seu povo , adentrando pelas matas, na calada da noite, sem medo dos perigos, em busca da caça, do alimento. E é a busca constante, à procura do alimento, que lhe permite conhecer as matas, cada árvore, cada folha. Assim, a energia de Oxóssi está ligada a essa busca que visa em si o conhecimento; não só o conhecimento do mundo que nos rodeia, pois é a energia de Oxóssi que está ligada às diferentes áreas do saber, a ciência, a educação, a filosofia, mas também e principalmente ao conhecimento de nós mesmos, das nossas necessidades, para que possamos crescer e evoluir enquanto seres materiais e espirituais. É a energia de Oxóssi que vibra em nós, quando refletimos, buscamos o nosso interior, para compreendermos quem somos e quem queremos ser. É neste sentido que a energia de Oxóssi atua como Caçador de Almas que, com a sua flecha certeira, instrumento de fé, nos resgata, nos cura, derrotando o pássaro gigante que habita dentro de nós , permitindo, assim, que possamos viver com a certeza de que Oxóssi nos guiará no caminho da Luz, sempre buscando, sempre partilhando, para que a fartura, a abundância sejam sempre celebradas por todos nós!


Mary Nogueira - ATUPO

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Um pensamento UNIVERSAL do ...DALAI LAMA


...Ninguém quer a raiva, ninguém quer a intranquilidade, mas por causa da ignorância somos acometidos por sentimentos como esses. A raiva faz-nos perder uma das melhores qualidades humanas, o poder de discernimento. Temos um cérebro bem desenvolvido, coisa que outros mamíferos não têm. Esse órgão permite-nos julgar o que é certo e o que é errado. Não apenas em termos actuais, mas em projecções para daqui dez, vinte ou mesmo cem anos. Sem nenhum tipo de pré-cognição, podemos utilizar o nosso bom senso para determinar o certo e o errado. Imaginar as causas e seus possíveis efeitos. Contudo, se a nossa mente estiver ocupada pela raiva, perderemos o poder de discernimento e tornar-nos-emos mentalmente incompletos. Devemos salvaguardar essa capacidade e, para tanto, temos que criar uma companhia de seguros interna: autodisciplina, autoconsciência e uma clara compreensão das desvantagens da raiva e dos efeitos positivos da bondade. Se refletirmos a respeito dessas questões com frequência, podemos incorporar a idéia e, então, controlar a mente.

Por exemplo: pode ser que você seja uma pessoa que se irrita facilmente com pequenas coisas. Com desenvolvida compreensão e consciencialização, isso pode ser controlado. Se você fica geralmente zangado durante dez minutos, tente reduzi-los para oito. Na semana seguinte, reduza para cinco e, no próximo mês, para dois. Depois, passe para zero. É assim que desenvolvemos e treinamos nossa mente. É o que penso e também o que pratico.

É perfeitamente claro que todos necessitam de paz interior, que só pode ser alcançada por meio da bondade, do amor e da compaixão. O resultado é uma família em paz, felicidade entre pais e filhos, menos brigas entre casais. Numa nação, essa atitude pode criar unidade, harmonia e cooperação com saudável motivação. A nível internacional, precisamos de confiança e respeito mútuos, discussões francas e amistosas, com motivações sinceras e um esforço conjunto no sentido de resolver problemas. Tudo isso é possível.

Precisamos, porém, mudar interiormente. Nossos líderes têm feito o melhor que podem para resolver nossos problemas, mas, quando um é resolvido, surge outro. Tenta-se solucionar este, surge mais um noutro lugar. Chegou o momento então de tentar uma abordagem diferente.

É certamente difícil realizar um movimento mundial pela paz de espírito, mas é a única alternativa. Caso houvesse outro método mais fácil e prático, seria melhor, porém não há. Se com armas pudessemos chegar à paz duradoura, muito bem. Transformaríamos todas as fábricas em produtoras de armamentos. Gastaríamos todos os dólares necessários, se conseguíssemos a definitiva paz, mas tal é impossível.

As armas não permanecem empilhadas. Uma vez desenvolvidas, alguém irá usá-las. O resultado é a morte de criaturas inocentes. Portanto, a única maneira de atingirmos uma paz mundial duradoura é por meio da transformação interior. E, mesmo que essa transformação não ocorra durante esta vida, a tentativa terá sido válida. Outros seres humanos virão; a próxima geração e as seguintes. E o progresso pode continuar. Sinto que, apesar das dificuldades práticas, e, mesmo correndo o risco de que tal visão seja considerada pouco realista, vale a pena o esforço. Assim, aonde quer que eu vá, expresso essas idéias e sinto-me muito motivado porque mais pessoas têm sido receptivas a elas.

Cada um de nós é responsável por toda a humanidade. Chegou a hora de pensarmos nas outras pessoas como verdadeiros irmãos e irmãs e nos preocuparmos com o seu bem-estar. Mesmo que você não possa sacrificar-se inteiramente, não deverá esquecer-se das dificuldades dos outros. Temos de pensar mais sobre o futuro em benefício de toda a humanidade. Se você tentar dominar os seus sentimentos egoístas e desenvolver mais bondade e compaixão, em última análise, você é quem irá sair beneficiado. É o que chamo de egoísmo sábio. Pessoas egoístas tolas só pensam em si mesmas, e o resultado é negativo. Egoístas sábios pensam nos outros, ajudam da melhor forma e também colhem os benefícios. Essa é minha simples religião. Não há necessidade de templos ou de filosofias complicadas. O nosso próprio cérebro, o nosso coração são nossos templos. A filosofia é a bondade.

Dalai Lama

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

ESCRITA MÁGICA - PARTE 2


A Escrita Mágica na Umbanda

O ponto riscado

O ponto riscado possui grande significado na liturgia Umbandista. O seu significado expande-se além das suas propriedades magísticas, na sua consagração há muito como “escrita mágica sagrada simbólica” (Saraceni, R.)

Os pontos riscados, como símbolos magísticos, podem também evocar sinais expressos numa representação orientada para um determinado propósito ou para a própria trajectória humana, sendo muitas vezes usada a pemba*, pelos guias, por para poder riscar os seus pontos ou símbolos espirituais. São espaços cuja função é dada e orientada pela entidade. É também através do ponto riscado que os Caboclos, Pretos-Velhos ou Exus contam a sua história, a sua origem e passagens do mundo material e astral, e também no qual manifestam a sua identidade, diferenciada das demais, sendo o próprio estandarte da entidade.

Compreendendo-o deste modo, o ponto riscado é um dos mais vigorosos meios magísticos utilizados na Umbanda, consistindo na sua base de um conjunto de símbolos feitos com pemba e agrupados de forma a movimentar energias e a criar campos de forças, ou como base de sustentação de alguns trabalhos. A variedade de funções que é sua propriedade é vasta; os pontos de descarrego tão sobejamente conhecidos; os pontos de firmeza, etc.

Os pontos riscados com Pemba representam uma grafia de projecção astral; de símbolos que se revestem de poder mágico, que a força do Orixá lhes confere. Criam genericamente uma espécie de campo energético, onde o instrumento utilizado pela entidade, a Pemba, manipula as forças da Natureza na afinidade com a entidade, na sua identificação e domínios, na prossecução do efeito desejado (dependendo também claramente do merecimento do consulente e do médium). São códigos vinculados ao mundo espiritual, no campo de acção de determinada falange de entidades. Quando são desenhados sem conhecimento de causa, acabam por “não projectar a sua grafia luminosa” (Lima, C.) e não passam de sinais inócuos, porque têm que ser movimentados pelo pensamento, assim como não basta ver um ponto num livro para riscá-lo sem o devido conhecimento, e sem as devidas consequências.

Para um ponto riscado, além da Pemba, podem ser usadas outras substâncias, dependendo do trabalho a realizar, como a marafa (pinga ou cachaça), fundanga (pólvora) etc. Também é utilizado somente o gesto, sem matéria adicional, na intenção pretendida.

Muitos dos símbolos sagrados são do conhecimento comum, como a Cruz, a Estrela de David ou de seis pontas, que os Umbandistas reconhecem como a estrela do equilíbrio, na força da justiça de Deus incorporada no Orixá Xangô, entre outros.

Outros desses símbolos mágicos, activados no plano material, são desconhecidos e ainda carecem de classificação. No seio da comunidade Umbandista, as divergências de opiniões mantêm discussão prolongada sobre este tema. Vários dirigentes e autores, sem consenso na sua abordagem, diferem na leitura desses mesmos símbolos, catalogando e fazendo triagens próprias. Outrossim, a reprodução de símbolos e grafias idênticas encontram-se em diversas casas, países, até mesmo religiões. Certo é que, na transversalidade da Umbanda, se reconhecem símbolos riscados indicando mistérios que são propriedade ou capacidade de determinada entidade. Será ponderado não admitir conhecimento absoluto sobre o tema, também na perspectiva de uma aprendizagem contínua...

"Usem bem os símbolos. Usem-nos mais e mais, e descobrir-se-ão num estágio onde já não precisarão deles. A mente humana consegue alcançar qualquer ponto do Universo imediatamente."

Mikao Usui

*pemba – espécie de pequeno giz calcário em formato oval fabricado com diversos componentes


Vitorino Camelo e Frederico Castro - A.T.U.P.O.


sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A UMBANDA É BRASILEIRA...


A UMBANDA É BRASILEIRA ?!?!?!?!?!?!?!

Sim e ponto final.

A Umbanda nasceu no Brasil com local e hora marcada, mas hoje a Umbanda não é SÓ brasileira!

A Umbanda cada vez mais salta muros e barreiras, quebra tabus e atravessa fronteiras e torna-se de facto uma religião do mundo. A Umbanda, e fazendo uma analogia com a botânica, é como uma grande árvore, vamos ver: para se “criar” uma árvore, o que precisamos? SEMENTES, TERRA e ÁGUA… Na Umbanda, foi da mesma maneira: podemos chamar SEMENTES à sua raiz africana; podemos intitular de TERRA a ascendência indígena, dos índios até ai selvagens e de ÁGUA a parte dos precursores europeus que lhe deram forma, vida. Nesta adição de elementos, não adianta tirar ou substituir nenhum dos elementos, porque caso contrário, o resultado nunca seria o mesmo, experimentem!

A Umbanda é assim mesmo: é fusão, é assimilação, é miscigenação, é a busca do melhor que temos em nós, sem olhar à cor, raça, credo ou estrato social, tudo em prol de um BEM MAIOR, de IGUALDADE, num mundo cada vez mais assimétrico; do AMOR, num mundo cada vez mais egoísta; e da FÉ redentora, que por vezes, se rende à vaidade e ao dinheiro.

A planta germinou e, no meio de muitas outras que também estavam ali para vingar, começou a tomar corpo. Os tempos nem sempre foram favoráveis, porque períodos houve em que os terreiros eram cadastrados na sede da polícia local, bem ao lado de qualquer prostíbulo e muitas vezes perseguidos pelos residentes menos informados acerca da religiosidade ali praticada. Mas são estas dificuldades que nos fazem crescer cada vez mais e melhor.

A Umbanda cresceu, fez-se adulta e assim espalhou as suas raízes por todo o Brasil, chegando a todos os cantos onde há terra para viver. Já adulta, e na sua maturidade quase centenária, chegaram os ventos da propagação, foram ventos que chegaram, fruto da difusão do povo brasileiro num mundo cada vez mais pequeno e também de uma globalização à escala planetária, quase inevitável.

Hoje, essa árvore adulta e com os ventos a favor espalha por todo o mundo todas essas sementes que saíram dela própria, sementes essas que, por seu lado, já começam a germinar e algumas a formar corpo também.

Cruzando os imensos charcos que ladeiam a América, as sementes chegaram mesmo a outros continentes. Curiosamente, é em terras africanas que as sementes mais têm encontrado relutância em proliferar, mas, se já vi um grupo de Capoeira em plena capital senegalesa e praticada por habitantes locais, quer dizer que … quem sabe um dia destes… . Mesmo porque já vimos entidades da Umbanda a pisar as terras vermelhas australianas, já ouvimos o som dos atabaques no continente asiático, mais propriamente em solo nipónico. Na América do Norte, os índios de peles vermelhas já dão lugar aos da Amazónia através dos nossos Caboclos e no velho Continente, nessa panóplia de culturas e raças, encontramos o Axé espalhado por países culturalmente tão díspares como Portugal e Áustria, Espanha e Holanda, Inglaterra e Suíça, Alemanha e Escócia ou ainda, como França ou Suécia.

Hoje, de facto, a Umbanda é brasileira, mas só mesmo porque nasceu lá. Porque cada vez mais está a crescer e cada vez mais é uma Religião do MUNDO!


A.T.U.P.O. - Fernando Henrique

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Uma pequena LEMBRANÇA aos......ORIXÁS


Gostaria de lembrar que os Orixas devem ser homenageados em todos os dias de nossas vidas, não apenas como Divindades da Umbanda, mas cultuados em nosso Ser, fazer com que realmente cada Orixá faça parte de nós.

Então eu diria que temos que Ser: Como Exu, e levar aos Orixás, os pedidos do Homem e trazermos ao Homem o merecimento de seu pedido, ou o caminho para ser alcançado.

A força de Ogum para nunca desistirmos do que acreditamos;

Amarmos a todos verdadeiramente como Oxum mostra em alguns mitos;

Sermos como Oxoce, o eterno caçador que busca dentro e fora de seus domínios;

Justos com tudo e todos, mesmo que a verdade nem sempre esteja do lado que gostaríamos, assim ensina Pai Xangô;

Lembrarmos que Iemanja, é Mãe que dá a vida, cuida, que educa e que prepara-nos para vencer;

A Cura de Obaluaie está também em reflectirmos sobre nossas imperfeições, e tentarmos curar algumas feridas e doenças como: Egoísmo, medo, falsidade, mentira e tantas outras;

Devemos acreditar que somos capazes, e ter Fé em Oxalá de que tudo é possível, e que o limite é aquele em que acreditamos, e como consequência até onde chegamos...

Onde queremos chegar?


Que Oxalá vos abençoe,


Pai Cláudio de Oxalá - A.T.U.P.O

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Lenda de OGUM


<!--[if !vml]-->OGUM ENSINA AOS HOMENS AS ARTES DA AGRICULTURA

Ogum andava aborrecido no Orum (céu), queria voltar ao Aiê (terra) e ensinar aos homens tudo aquilo que aprendera.

Mas ele desejava ser ainda mais forte e poderoso, para ser por todos admirado por sua autoridade.

Foi consultar Ifá, que lhe recomendou um ebó para abrir os caminhos.

Ogum providenciou tudo antes de descer ao Aiê.

Veio ao Aiê e aqui fez o pretendido.

Em pouco tempo foi reconhecido por seus feitos.

Cultivou a terra e plantou, fazendo com que dela o milho e o inhame brotassem em abundância.

Ogum ensinou aos homens a produção do alimento, dando-lhes o segredo da colheita, tornando-se assim o patrono da agricultura.

Ensinou a caçar e a forjar o ferro.

Por tudo isso foi aclamado rei de Irê, o Onirê.

Ogum é aquele a quem pertence tudo de criativo no mundo, aquele que tem uma casa onde todos podem entrar.

[Lenda do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi]

A leitura e análise desta lenda permite-nos compreender o que o Orixá Ogum representa: é a energia presente no homem que, com coragem e determinação, desbrava a terra seca e árida e a transforma em terra fértil, pronta para receber as sementes donde nascerá, como refere a lenda, o milho, o inhame que alimentará os povos; é a força bruta que se transforma, que inova, que cria. É a energia que emana do arado usado para cultivar a terra, das ferramentas agrícolas, das armas usadas para caçar, para combater e vencer batalhas, feitas do ferro, metal onde a energia de Ogum também está presente. É o Orixá guerreiro por excelência, é a força que garante que a ordem seja cumprida;é o Orixá que abre os caminhos, nos ajudando a lutar contra os obstáculos e a evoluir; é a energia que nunca pára, tal qual o sangue que corre em nosso corpo, tal qual a vida! Essa é a força de Ogum!

M.N.

Lendas dos Orixás

Vamos criar aqui um espaço onde vamos postar as Lendas dos nossos queridos Orixás .

Às lendas vamos ainda acrescentar a visão da A.T.U.P.O sobre as mesmas e os seus significados para que possámos compreender muitas das parábolas da Mitologia Umbandista

Axé

F. Henrique