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quinta-feira, 16 de junho de 2011

LENDA DE OXÓSSI


A cada ano, após a colheita, o rei de Ijexá, saudava a abundância de alimentos com uma festa, oferecendo inhame, milho e coco. O rei comemorava com sua família e seus súditos, só as feiticeiras não eram convidadas. Furiosas com a desconsideração, enviaram à festa um pássaro gigante que pousou no teto do palácio, encobrindo-o e impedindo que a cerimônia fosse realizada.

O rei mandou chamar os melhores caçadores da cidade. O primeiro tinha vinte flechas. Ele lançou todas elas, mas nenhuma acertou o grande pássaro. Então o rei aborreceu-se e o mandou embora. Um segundo caçador se apresentou, este com quarenta flechas, o fato se repetiu novamente e o rei mandou então prendê-lo.

Bem próximo dali vivia Oxóssi, um jovem que costumava caçar à noite, antes do sol nascer, ele usava apenas uma flecha vermelha. O rei mandou chamá-lo para dar fim no grande pássaro. Sabendo das punições imposta pelo rei aos outros caçadores, a mãe de Oxóssi temendo pela vida do filho, consultou um babalaô, e os obis mostraram que, se fosse feita uma oferenda para as feiticeiras ele teria sucesso.

A oferenda consistia em sacrificar uma galinha. Nesse exato momento, Oxóssi deveria atirar a sua única flecha. E assim o fez, acertando o pássaro bem no peito ferindo-o de morte. O rei agradecido pelo feito, deu ao caçador metade de sua riqueza e a cidade de Keto, “ terra dos panos vermelhos”, onde Oxóssi governou até a sua morte, tornando-se depois um Orixá.


In "Mitologia dos Orixás"de Reginaldo Prandi, Ed. Companhia das Letras.

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Esta lenda mostra claramente que a energia de Oxóssi está ligada à fartura, à prosperidade. É Oxóssi que, com o seu tiro certeiro, mata o pássaro gigante, pousado no teto do palácio, permitindo assim que continue a celebrar-se a abundância de alimentos e recebendo em troca metade da riqueza do rei e uma cidade.

É Oxóssi que, com a sua flecha, providencia para que nada falte ao seu povo , adentrando pelas matas, na calada da noite, sem medo dos perigos, em busca da caça, do alimento. E é a busca constante, à procura do alimento, que lhe permite conhecer as matas, cada árvore, cada folha. Assim, a energia de Oxóssi está ligada a essa busca que visa em si o conhecimento; não só o conhecimento do mundo que nos rodeia, pois é a energia de Oxóssi que está ligada às diferentes áreas do saber, a ciência, a educação, a filosofia, mas também e principalmente ao conhecimento de nós mesmos, das nossas necessidades, para que possamos crescer e evoluir enquanto seres materiais e espirituais. É a energia de Oxóssi que vibra em nós, quando refletimos, buscamos o nosso interior, para compreendermos quem somos e quem queremos ser. É neste sentido que a energia de Oxóssi atua como Caçador de Almas que, com a sua flecha certeira, instrumento de fé, nos resgata, nos cura, derrotando o pássaro gigante que habita dentro de nós , permitindo, assim, que possamos viver com a certeza de que Oxóssi nos guiará no caminho da Luz, sempre buscando, sempre partilhando, para que a fartura, a abundância sejam sempre celebradas por todos nós!


Mary Nogueira - ATUPO

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Lenda de OXALÁ


Orixalá cria o mundo

No começo, o mundo era todo pantanoso e cheio de água, um lugar inóspito, sem nenhuma serventia. Acima dele havia o céu o Orum, onde viviam Olorum e todos os Orixás, que às vezes desciam para brincar nos pântanos insalubres. Desciam por teias de aranhas penduradas no vazio. Ainda não havia terra firme, nem o homem existia. Um dia Olorum chamou à sua presença Oxalá, o grande orixá. Disse-lhe que queria criar terra firme lá em baixo e pediu-lhe que realizasse tal tarefa. Para a missão, deu-lhe uma concha marinha com terra, uma pomba e uma galinha com pés de cinco dedos. Oxalá desceu ao pântano e depositou a terra da concha. Sobre a terra pôs a pomba e a galinha e ambas começaram a ciscar. Foram assim espalhando a terra que viera na concha até que terra firme se formou em toda a parte. Oxalá voltou a Olorum e relatou-lhe o sucedido. Olorum enviou um camaleão para inspeccionar a obra de Oxalá e ele não pode andar sobre o solo que ainda não era firme. O camaleão voltou dizendo que a terra era ampla mas ainda não suficientemente seca. Numa segunda viagem o camaleão trouxe a notícia de que a Terra era ampla e suficientemente sólida, podendo-se agora viver em sua superfície. O lugar mais tarde foi chamado de Ifé, que quer dizer ampla morada. Depois Olorum mandou Oxalá de volta a Terra para plantar árvores e dar alimentos e riquezas ao homem. E veio a chuva para regar as árvores. Foi assim que tudo começou. Foi ali, em Ifé, durante uma semana de quatro dias que Orixá Nlá criou o mundo e tudo o que existe nele.
Obatalá cria o homem (…) Mas a missão não estava ainda completa e Oludumare deu outra dádiva a Obatalá: a criação de todos os seres vivos que habitariam a Terra. E assim Obatalá criou todos os seres vivos e criou o homem e criou a mulher. Obatalá modelou em barro os seres humanos e o sopro de Olodumare os animou. O mundo agora se completara. E todos louvaram Obatalá.

In "Mitologia dos Orixás"de Reginaldo Prandi, Ed. Companhia das Letras.

Esta lenda narra a história da criação do mundo e da humanidade: Olorum ( que é o Ser Supremo, Deus) incumbe a Oxalá a responsabilidade de criar a Terra. Depois da sua formação, estando ela pronta e em condições de acolher a vida humana, Oxalá recebe de Olorum (ou Olodumare) a tarefa sublime de criar o homem, a mulher, a humanidade. Oxalá é por isso o Orixá responsável pela existência de todos os seres do céu e da terra, é o Pai da humanidade. É o Pai Maior, Criador e Pacificador, detentor da Luz espiritual, é a energia que cuida de todos os seres do planeta, de todos os homens. Oxalá é também a Luz Divina que irradia os seus raios sobre todos os Orixás. A sua cor é o branco, representando a pureza, a paz e no branco se inserem todas as cores, todos os raios todos os Orixás, que a Ele estão ligados. Não nos esqueçamos que o Seu principal atributo é a Fé, a Fé que nos liga ao Ser Supremo, ao Divino Criador. Então, o que seria de nós sem a Fé? O que seria do Amor sem a Fé? O que seria da Justiça sem a Fé? É ela que, ao vibrar em cada um de nós, nos permite evoluir, crescer espiritualmente, para que tenhamos êxito naquilo que queremos, naquilo que precisamos e para o qual lutamos. E que melhor exemplo de Fé do que Jesus Cristo, que se despojou dos seus bens, curou os doentes, estendeu a mão aos desamparados e venceu a morte? Por isso a Sua imagem está presente em todos os Templos de Umbanda e está associada a Oxalá. É a mesma energia, a centelha divina que existe em cada um de nós, estimulando a busca espiritual, através da religiosidade, da caridade e de amor ao próximo e por tudo aquilo que Oxalá criou, num acto de Inspiração e de Fé!

Mary Nogueira - A.T.U.P.O.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Oxum se transforma em pavão e abutre


Lenda de Oxum

Oxum se transforma em pavão e abutre

Olorum, ofendido pela rebeldia dos orixás, prende a chuva no orum (Céu), deixando que a seca e a fome se abatam sobre o aiê (a Terra). Os orixás, revoltados com tal atitude, foram suplicar-lhe que devolvesse a chuva à terra, não tendo no entanto conseguido o perdão de Olorum. Oxum oferece-se para ir ao Orum falar com Olorum. Gozada pelos outros orixás, que não acreditavam que ela conseguisse tal feito, Oxum transforma-se em pavão, voa até ao Deus Supremo, para suplicar ajuda. À medida que vai aproximando-se do sol, as suas penas enegrecem e caem e os raios vão queimando sua pele.Fica de tal forma queimada pelo sol e sem penas, que de um pavão belo e majestoso passou a ser um abutre.No entanto, alcança o Orum e quando chega a casa de Olorum, este lhe pergunta o porquê de tal sacrifício. Ela lhe responde que enfrentou o perigo pelo amor à humanidade e às crianças. Então,Olorum, comovido pela determinação e bravura de Oxum, devolve a chuva ao Aiê, tornando as terras férteis e prósperas outra vez!


Esta lenda mostra, através de uma linguagem simples e inteligível, o que o Orixá Oxum representa: a energia do Amor, o amor pela humanidade, pelos irmãos, a energia do amor maternal, o amor de mãe, que ampara, que protege, que pelos seus filhos enfrenta qualquer perigo; é a energia que comove, que faz chorar e que conquista a riqueza e abundância; é o Orixá ligado à concepção da vida, é a energia da fertilidade, fecundidade, representada pela água que volta à terra, tornando-a de novo rica e fértil, para ser fecundada, ganhar vida e tornar-se próspera de novo!


A.T.U.P.O. - Mary Nogueira

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Uma Lenda de Obaluaiê / Omulu


Uma Lenda de Obaluaiê / Omulu

<!--[if !supportLists]--> <!--[endif]-->Um dia, caminhando pelo mundo, Obaluaiê sentiu fome e pediu às pessoas de uma aldeia por onde passava que lhe dessem comida e água. Mas as pessoas, assustadas com o homem coberto desde a cabeça com palhas, expulsaram-no da aldeia e não lhe deram nada.

<!--[if !supportLists]--> <!--[endif]-->Obaluaiê, triste e angustiado, saiu do povoado e continuou pelos arredores, observando as pessoas. Durante este tempo, os dias esquentaram, o sol queimou as plantações, as mulheres ficaram estéreis, as crianças cheias de varíola, os homens doentes. Acreditando que o desconhecido coberto de palha amaldiçoara o lugar, imploraram seu perdão e pediram que ele novamente pisasse na terra seca.

<!--[if !supportLists]--> Ainda com fome e sede, Obaluaiê atendeu ao pedido dos moradores do lugar e novamente entrou na aldeia, fazendo com que todo o mal acabasse. Então homens o alimentaram e lhe deram de beber, rendendo-lhe muitas homenagens. Foi quando Obaluaiê disse que jamais negassem alimento e água a quem quer fosse, tivesse a aparência que tivesse. E seguiu seu caminho.

<!--[if !supportLists]--> <!--[endif]-->Chegando à sua terra, encontrou uma imensa festa dos orixás. Como não se sentia bem entrando numa festa coberto de palhas, ficou observando pelas frestas da casa. Neste momento Iansã, a deusa dos ventos, o viu nesta situação e, com seus ventos levantou as palhas, deixando que todos vissem um belo homem, já sem nenhuma marca, forte, cheio de energia e virilidade. E dançou com ele pela noite adentro. A partir deste dia, Obaluaiê e Iansã-Balé se uniram contra o poder da morte, das doenças e dos espíritos dos mortos, evitando que desgraças aconteçam aos homens.

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<!--[if !supportLists]-->* <!--[endif]-->In "Mitologia dos Orixás"de Reginaldo Prandi, Ed. Companhia das Letras.(adaptado)

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Compreendemos, através da leitura desta lenda, que há um conjunto de dualidades associadas à energia deste Orixá, cujo nome, Obaluaiê/ Omulu encerra em si próprio essa mesma dicotomia: se por um lado Ele é a energia ligada ao sol, que em demasia provoca a seca, a infertilidade, a doença, é também a energia que cura, que aquece. É o Orixá que tanto traz consigo a peste, a varíola, que torna as mulheres estéreis, como é a cura para todas as doenças, a energia que permite a vida no planeta.

É também o Orixá que representa a evolução espiritual do ser humano. No texto, Obaluaiê perdoa os homens por lhe terem recusado comida e água, “ainda com fome e sede” e faz com que o mal acabe. Esta passagem demonstra o quanto a sua energia está ligada quer à doença, quer à cura espiritual, à evolução. Estamos doentes, quando temos dentro de nós sentimentos de intolerância, arrogância para com o próximo, quando só damos importância ao aspecto exterior dos nossos semelhantes, menosprezando as suas qualiades e sentimentos. Podemos evoluir, se seguirmos o exemplo que nos é trazido na lenda por Obaluaiê. Só através do perdão, da humildade, da tolerância, caridade e amor incondicional é que sentiremos a irradiação divina deste Orixá, alcançando a cura, mental e espiritual.

Mas, Obaluaiê não é responsável pela nossa evolução só em vida. Ele também está ligado, enquanto Omulu, ao nosso desencarne, é responsável pela nossa passagem. E tal como diz a lenda, é com a ajuda de Iansã, dividindo com Ela os seu domínios na calunga, que Ele, o “Guardião das Almas”, o “Senhor das passagens”, através da sua irradiação divina, nos protege e nos ampara com amor, conduzindo-nos sempre de acordo com o nosso merecimento, permitindo assim que continuemos a evoluir, para que um dia possamos chegar mais perto do Criador! Atôtô Meu Pai!


A.T.U.P.O. - Mary Nogueira

Lenda de Xangô


Lenda de Xangô

Xangô e seus homens lutavam com um inimigo implacável. Os guerreiros de Xangô, capturados pelo inimigo, eram mutilados e torturados até à morte, sem piedade nem compaixão. As atrocidades já não tinham limites.

O inimigo mandava entregar a Xangô os seus homens aos pedaços. Xangô estava desesperado e enfurecido. Então, subiu no alto de uma pedreira perto do acampamento e dali consultou Orunmilá sobre o que fazer. Xangô pediu ajuda a Orunmilá.

Xangô estava irado e começou a bater nas pedras com o oxé, o seu machado duplo. O machado arrancava das pedras faíscas, que acendiam no ar famintas línguas de fogo, que devoravam os soldados inimigos. A guerra perdida foi se transformando em vitória.

Xangô ganhou a guerra. Os chefes inimigos que haviam ordenado o massacre dos soldados de Xangô foram dizimados por um raio que Xangô disparou no auge da fúria. Mas os soldados que sobreviveram foram poupados por Xangô.

A partir daí, o senso de justiça de Xangô foi admirado e cantado por todos.

Através dos séculos, os Orixás e os homens têm recorrido a Xangô para resolver todo o tipo de pendência, julgar as discordâncias e administrar justiça.

In "Mitologia dos Orixás"de Reginaldo Prandi, Ed. Companhia das Letras.

Esta lenda de Xangô revela, de uma forma clara, um dos fundamentos ligados a este Orixá: a justiça! Não uma justiça terrena, no sentido do julgamento humano, mas uma justiça baseada no sentido divino, que se traduz na seguinte expressão: “quem deve paga, quem merece recebe!” Quando o Orixá se revolta contra as atrocidades , bate com o seu machado nas pedras e o fogo divino que daí sai, traz com ele a vitória merecida. Nesta passagem, percebemos que a energia do Orixá está presente no fogo, nos trovões, sendo as pedreiras o seu ponto de força e que a sua representação está ainda associada a um machado com dois lados iguais, o Oxé. Tal como mostra a lenda, é através da força do seu machado que o Orixá acaba com as pendências e as discórdias. Como o seu machado, Xangô carrega o conhecimento dos dois lados, das duas lâminas, igualmente afiadas, mas coloca-se no centro, em perfeito equilíbrio. É a força de Xangô, providenciando para que a lei da acção e reacção, a lei kármica se façam cumprir, para que o equilíbrio seja restaurado, para que a justiça divina se faça sentir! Kaô kabiecilê Xangô!


A.T.U.P.O. - Mary Nogueira

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Lenda de OGUM


<!--[if !vml]-->OGUM ENSINA AOS HOMENS AS ARTES DA AGRICULTURA

Ogum andava aborrecido no Orum (céu), queria voltar ao Aiê (terra) e ensinar aos homens tudo aquilo que aprendera.

Mas ele desejava ser ainda mais forte e poderoso, para ser por todos admirado por sua autoridade.

Foi consultar Ifá, que lhe recomendou um ebó para abrir os caminhos.

Ogum providenciou tudo antes de descer ao Aiê.

Veio ao Aiê e aqui fez o pretendido.

Em pouco tempo foi reconhecido por seus feitos.

Cultivou a terra e plantou, fazendo com que dela o milho e o inhame brotassem em abundância.

Ogum ensinou aos homens a produção do alimento, dando-lhes o segredo da colheita, tornando-se assim o patrono da agricultura.

Ensinou a caçar e a forjar o ferro.

Por tudo isso foi aclamado rei de Irê, o Onirê.

Ogum é aquele a quem pertence tudo de criativo no mundo, aquele que tem uma casa onde todos podem entrar.

[Lenda do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi]

A leitura e análise desta lenda permite-nos compreender o que o Orixá Ogum representa: é a energia presente no homem que, com coragem e determinação, desbrava a terra seca e árida e a transforma em terra fértil, pronta para receber as sementes donde nascerá, como refere a lenda, o milho, o inhame que alimentará os povos; é a força bruta que se transforma, que inova, que cria. É a energia que emana do arado usado para cultivar a terra, das ferramentas agrícolas, das armas usadas para caçar, para combater e vencer batalhas, feitas do ferro, metal onde a energia de Ogum também está presente. É o Orixá guerreiro por excelência, é a força que garante que a ordem seja cumprida;é o Orixá que abre os caminhos, nos ajudando a lutar contra os obstáculos e a evoluir; é a energia que nunca pára, tal qual o sangue que corre em nosso corpo, tal qual a vida! Essa é a força de Ogum!

M.N.

Lendas dos Orixás

Vamos criar aqui um espaço onde vamos postar as Lendas dos nossos queridos Orixás .

Às lendas vamos ainda acrescentar a visão da A.T.U.P.O sobre as mesmas e os seus significados para que possámos compreender muitas das parábolas da Mitologia Umbandista

Axé

F. Henrique