O estudo das forças presentes (e ocultas) na natureza, presentes nos quatro elementos e seus elementais, é recorrente em grande parte das grandes culturas, tanto Ocidentais, como Orientais. É também comum o facto de existir uma base teosófica no estudo dos quatro elementos básicos da natureza: o Ar, a Terra, a Água, e o Fogo. Esta seleção, de certa forma natural, refere-se também à condição humana e à necessidade que temos de todos e cada um desses elementos para poder sobreviver. A origem da Teoria dos Quatro Elementos julga-se ter tido início na Grécia Antiga, entre os filósofos pré-socráticos, envoltos em discussões que procuravam esclarecer a origem material de todas as coisas, atribuindo a determinado Elemento uma determinada particularidade geradora ou causadora de algo, na época, inexplicável. Estas dissertações deram origem a várias obras cuja expressão – literária, plástica, filosófica, científica e religiosa – perdura até aos dias de hoje.
O mais provável, no entanto, é que a origem desta Teoria tenha vindo do Oriente, adaptada do que hoje conhecemos como a Teoria dos Cinco Elementos, originária da China, sendo considerados, mais do que elementos, formas de transmutação da matéria/energia, a partir de um ciclo natural da transformação dos vários elementos – madeira, fogo, terra, metal, e água. Também na Índia se vê a aplicação da figura dos Elementos (Éter, Fogo, Água, Ar e Terra) que entram em partes equilibradas na composição da matéria. A medicina ayurvédica, disciplina milenar, ganhou forma no pressuposto do trabalho na procura do equilíbrio entre os vários “humores”, plasmados nas forças da natureza. Não é, seguramente, só um conceito esotérico, mas também a base de formas terapêuticas muito antigas, que já promoviam o equilíbrio energético e espiritual. O princípio dos Cinco Elementos é amplamente usado na medicina tradicional chinesa, classificando na fitoterapia ervas específicas relacionadas com um desses elementos, em conformidade com as ações que promovem em determinada doença, no uso dos protocolos da acupuntura, e até em disciplinas que promovem o bem-estar como o Tai-chi-chuan e o Chi-Kung. As descrições Renascentistas, no entanto, sugerem que o Ocidente também admitia a Teoria dos Elementos como forças subtis que se manifestariam através de transformações recíprocas. É o que se depreende de alguns dos textos clássicos, cuja forma de ver os elementos pressupõe uma certa ligação entre a astrologia e a alquimia, que ocorria naquela época, e que durante séculos subsistiu, dando lugar, mais tarde, à química. O entendimento filosófico pós-socrático veio trazer um “Quinto Elemento”, que os gregos chamaram de “quintessência”. Seria o elemento "perfeito" que somente existiria no plano cósmico, formador do Universo. O entendimento mais consensual prende-se com a simbologia do Éter, representando a negação lógica do vácuo, e, assim, a correspondência com o Divino presente nos próprios Elementos da Natureza. Numa breveanálise sobre cada um dos elementos, tendo por base documentos diversos elaborados ao longo dos últimos anos, pode fazer-se uma síntese em sequência algo ordenada de tal forma que possa classificar, da melhor maneira possível, a natureza dos elementos de acordo com uma ideologia espiritualista mais abrangente. Assim, poderemos obter uma visão mais ampla e maior compreensão dos processos criativos com eles relacionados, nas suas diversas fases e transmutações.
AR
O ar é considerado como um símbolo ou matéria sagrada na maioria das religiões, além da Umbanda, incluindo o Cristianismo e chegando mesmo ao Hinduísmo e à Wicca. Grande parte dos rituais religiosos são realizados na presença de um símbolo deste elemento, seja em forma de incenso (embora este represente também outros elementos), ou simplesmente pelas invocações efetuadas de forma oral.
Em algumas religiões neopagãs, como é o caso do Druidismo, da Wicca, que por si são tendencialmente ligadas à Natureza, também existe a crença na existência dos Elementos presentes no Universo. No Paganismo, o ar foi o terceiro elemento que se formou da “quitessência”, ou Akasha, sendo considerado um elemento intermediário entre o princípio do fogo e o da água, o que, de resto, acontece de forma análoga com os outros Elementos.
A partir deste conceito, surgem os Elementais, nome esotérico dado aos espíritos existentes na natureza, e, como tal, também considerados como sagrados dentro da Umbanda. Entre os elementais do ar que, segundo a crença pagã, seriam capazes de controlar o Ar e o representar, estão os silfos, as sílfides e as fadas, entre outros.
ÁGUA
De igual forma, a água é considerada como sagrada na maioria das religiões, além da Umbanda. O Cristianismo, o Judaísmo, o Islamismo, o Xintoísmo, o Xamanismo e outros, fazem amplo uso deste Elemento nas mais variadas ritualísticas. Pela sua presença em Templos por meio de recipientes como taças, pias ou simplesmente copos, ou, na sua total magnitude, representados por um rio, lago ou mar, quando a liturgia é celebrada na natureza, a água é possuidora de mistérios que a fazem ser parte integrante do culto de praticamente todas as crenças e religiões. De entre os elementais da água capazes de controlar o elemento água e o representar, encontramos as descrições esotéricas das ondinas, sereias e das hidras, entre outros seres que tanto abundam na nossa expressão literária e que, outrora, tantos receios trouxeram a quem se sentisse próximo a eles.
TERRA
Por si só, o nome Terra deixa implícita a importância deste elemento sagrado em praticamente todas as religiões e cultos pagãos. Segundo estes últimos, o elemento Terra foi o último dos elementos a ser formado, pois pela sua principal caraterística, a solidificação, ela integra em si o fogo, a água e o ar.
Foi essa característica, segundo a crença pagã, que conferiu uma forma concreta aos outros três elementos. Foi também a partir desse momento que a manifestação dos restantes Elementos ganhou força na teoria da transmutação da Terra, e, por consequência, da transmutação humana, e que as Leis da Natureza ganharam forma, tempo e espaço. Os Elementais responsáveis pela sua representação e manipulação são vários e de variadas formas e expressões: os gnomos, os duendes, as ninfas, as dríades, os faunos e todos os restantes ligados à terra e à vegetação mais rasteira.
FOGO
A generalidade dos cultos ou rituais religiosos são realizados com a presença muito ativa deste Elemento, seja através de uma fogueira ou de uma simples vela, sendo um Elemento tranmutador e transformador, detentor de um grande misticismo e respeito. Possui caraterísticas opostas às da água, como o calor e a expansão e segundo a crença pagã, o fogo e água teriam sido os elementos básicos com os quais tudo foi criado. Os elementais do fogo que, segundo uma orientação esotérica, serão capazes de controlar o elemento fogo e o representar, são as salamandras, a fênix, o dragão e o singular boitatá.
ÉTER
A “Quintessência”, ou “Akasha” será o princípio original, o espaço cósmico ausente de vazio. É o “substrato espiritual primordial”, aquele que se diferencia. É a matriz do Universo e a base de toda a verdadeira magia. É o local onde ficam retidas todas as emoções, todas as ações e todas as memórias.
É nele que reside o verdadeiro conhecimento, equivalendo-se numa comparação livre ao que Jung chamou de inconsciente coletivo, evocando uma memória universal da humanidade, da qual percebemos breves momentos. É por isso que é considerado o mais singular dos cinco elementos, a base de todas as coisas da criação. Segundo Franz Bardon, o que algumas religiões chamam de Deus.
Sendo Elementos, “per si”, sagrados, a sua correlação traz aquilo que, com a devida orientação, podemos chamar de magia. A abordagem Umbandista a este tema, não sendo de todo uníssona, parte do pressuposto de se assumir como uma religião anímica, tendo como base a “anima” (alma) da Natureza, que se constitui pela agregação desses elementos, a sua transformação, e o direcionar da energia criada por essa via. Conta uma história bem conhecida que “a 15 de novembro de 1908, compareceu a uma sessão da Federação Espírita, em Niterói, então dirigida por José de Souza, um jovem de 17 anos de família tradicional fluminense. Chamava-se Zélio Fernandino de Moraes. Restabelecera-se, no dia anterior, de moléstia cuja origem os médicos haviam tentado, em vão, identificar. A sua recuperação inesperada por um espírito causara enorme surpresa, pois nem os médicos que o assistiam, nem os tios, sacerdotes católicos, haviam encontrado uma explicação plausível ou mesmo minimamente convincente. A família atendeu, então, à sugestão de um amigo, que se ofereceu para acompanhar o jovem Zélio à Federação Espírita, para o acompanhar num trabalho. Zélio foi convidado a participar da Mesa. Sentiu-se deslocado e constrangido, no meio daquelas pessoas. E causou logo um pequeno tumulto. Sem saber porquê, em dado momento, ele disse: (…)"Aqui está faltando uma flor”. E, apesar da advertência de que não poderia afastar-se, levantou-se, foi ao jardim e voltou com uma flor que colocou no centro da mesa. Serenado o ambiente e iniciados os trabalhos, manifestaram-se espíritos que se diziam de índios e escravos. O dirigente advertiu-os para que se retirassem, o que causou um pequeno tumulto e breve diálogo acalorado, no qual os dirigentes dos trabalhos procuravam doutrinar o espírito desconhecido que se manifestava e mantinha argumentação segura. Por fim, um dos videntes pediu que a entidade se identificasse, já que lhe aparecia envolta numa aura de luz…(…). De facto, numa análise mais cuidada a este relato, complementado com outros mais ou menos rigorosos, pode subentender-se que aquilo que o menino Zélio fez foi, mais do que colocar uma flor como símbolo da Natureza, da própria vida, foi acrescentar o Elemento Terra, aos outros que já existiam na sessão Espírita. O Fogo, por meio da vela acesa, a Água, num copo, e o Ar, presente no próprio ambiente. Completando o “ciclo”, terá desencadeado as ações e reações que originaram a Umbanda como hoje a conhecemos…
Na próxima Edição, trataremos do significado litúrgico dos elementos da Natureza na Umbanda, o seu uso e a magia presente nas suas transmutações.
Muitas vezes nos deparamos com autores e palestrantes, das mais diferentes agremiações religiosas afirmando que há duas formas de fé: a cega e a racional. Porém, nenhuma das duas é realmente Fé, mas simulacros de Fé e, talvez por isso mesmo, precisem de adjetivos. No caso da fé cega, é fácil percebê-la no discurso daqueles que pensam Deus como algo que vai realizar nossos desejos, como se fosse um "gênio da lâmpada". Essa fé cega aparece em vários movimentos esotéricos e em setores do movimento evangélico. São aqueles que dizem que se você pensar em um colar de diamantes o "universo" vai trazê-lo até você ou quando fica doente diz que não vai procurar um médico porque acredita que Deus vai curá-lo. Um outro exemplo de fé cega pode ser visto no motorista que diante de um alagamento da marginal Tietê, em São PAulo, diz que Deus vai fazer o carro atravessar e fica parado no meio, tendo o carro encoberto pela água. Estes são alguns exemplos de fé cega. Deus é um escravo disponível 24 horas para realizar nossos desejos, dos mais mesquinhos aos mais solidários, mas que continuam sendo os nossos desejos.
Porém, a fé racional, é o outro lado dessa moeda. É a fé de Tomé, que precisa ver para crer. Nem sempre é preciso ver, mas encontrar uma explicação racional para um fato desagradável como é comum em centros espiritistas onde é possível se consultar com "entidades". Nesses casos é comum encontrarmos pessoas que chegam bufando de raiva porque aconteceu algo desagradável e quando a "entidade" explica que em uma vida passada ela fez isso ou aquilo e por causa disso foi necessário passar por uma determinada vicissitude negativa, a pessoa entende racionalmente a situação e aceita, parando de sofrer ou de sentir raiva. Como afirmei, essas duas formas acima de fé são simulacros da Fé, mas trazem, obviamente, elementos que permitem que se transforme em uma verdadeira entrega aos designios de Deus, compreendendo que nada acontece em nossa vida que não contenha a oportunidade de aprender, seja a paciência em uma situação desagradável ou não ficar eufórico em uma agradável. A Fé não necessita de crença ou de racionalização, é vivida intensamente, é uma entrega e uma confiança plena a essa força superior que nos guia e que não existe para satisfazer o nosso ego, mas para realizar o que precisamos vivenciar, seja negativa ou positivamente, dentro do parâmetro estreito do nosso ego. Assim, quando passamos por uma vicissitude negativa, não é preciso pensar que está colhendo o que plantou, mas quem tem Fé agradece sempre a Deus pela oportunidade de tirar algum proveito espiritual daquela situação, aprendendo a ser mais paciente, compreensivo, a perdoar ou mesmo que não se deve agir daquela forma, fazendo aos outros apenas aquilo que gostaríamos que os outros fizessem conosco, mas sem precisar lamentar, espernear etc. Em alguns casos é necessário ser enérgico, mas essencialmente amoroso, pois nem todos estão preparados para serem livres, porém responsáveis. Enfim, a Fé é um sentimento inerente ao espírito e quando desperto se transforma em uma energia de grande intensidade que transforma a vida cotidiana de quem a vivencia e que não cabe nos limites estreitos do ego ou de sua cegueira ou racionalidade.
Mais um dia histórico para a A.T.U.P.O., mais uma Homenagem a Yemanjá, onde a Partilha, o Amor, o Respeito, a Fé e como sempre uma mão cheia de novidades e bênçãos dos céus que nos dão cada dia que passa uma certeza de trilhar no caminho certo e uma vontade enorme de continuar a ser quem somos e da maneira que somos.
Foram horas maravilhosas de convívio com guias , com entidades, com irmãos, com amigos e até estranhos e curiosos que passavam na praia e que de admiração tinham tanto como nós de ALEGRIA E PRAZER POR FAZER AQUELE TRABALHO.
Bem hajam os guias que nos vieram abençoar, bem hajam as pessoas que estoicamente e sobre um sol abrasador nos acompanharam e bem haja MÃE YEMANJÁ por todo o Amor derramado por estes teus filhos.
A cada ano, após a colheita, o rei de Ijexá, saudava a abundância de alimentos com uma festa, oferecendo inhame, milho e coco. O rei comemorava com sua família e seus súditos, só as feiticeiras não eram convidadas. Furiosas com a desconsideração, enviaram à festa um pássaro gigante que pousou no teto do palácio, encobrindo-o e impedindo que a cerimônia fosse realizada.
O rei mandou chamar os melhores caçadores da cidade. O primeiro tinha vinte flechas. Ele lançou todas elas, mas nenhuma acertou o grande pássaro. Então o rei aborreceu-se e o mandou embora. Um segundo caçador se apresentou, este com quarenta flechas, o fato se repetiu novamente e o rei mandou então prendê-lo.
Bem próximo dali vivia Oxóssi, um jovem que costumava caçar à noite, antes do sol nascer, ele usava apenas uma flecha vermelha. O rei mandou chamá-lo para dar fim no grande pássaro. Sabendo das punições imposta pelo rei aos outros caçadores, a mãe de Oxóssi temendo pela vida do filho, consultou um babalaô, e os obis mostraram que, se fosse feita uma oferenda para as feiticeiras ele teria sucesso.
A oferenda consistia em sacrificar uma galinha. Nesse exato momento, Oxóssi deveria atirar a sua única flecha. E assim o fez, acertando o pássaro bem no peito ferindo-o de morte. O rei agradecido pelo feito, deu ao caçador metade de sua riqueza e a cidade de Keto, “ terra dos panos vermelhos”, onde Oxóssi governou até a sua morte, tornando-se depois um Orixá.
In "Mitologia dos Orixás"de Reginaldo Prandi, Ed. Companhia das Letras.
Esta lenda mostra claramente que a energia de Oxóssi está ligada à fartura, à prosperidade. ÉOxóssi que, com o seu tiro certeiro, mata o pássaro gigante, pousado no teto do palácio, permitindo assim que continue acelebrar-se a abundância de alimentos e recebendo em troca metade da riqueza do rei e uma cidade.
É Oxóssi que, com a sua flecha, providencia para que nada falte ao seu povo , adentrando pelas matas, na calada da noite, sem medo dos perigos, em busca da caça, do alimento. E é a busca constante, à procura do alimento, que lhe permite conhecer as matas, cada árvore, cada folha. Assim, a energia de Oxóssi está ligada a essa busca que visa em si o conhecimento; não só o conhecimento do mundo que nos rodeia, pois é a energia de Oxóssi que está ligada àsdiferentes áreas do saber, a ciência, a educação, a filosofia,mas também e principalmente ao conhecimento de nós mesmos, das nossas necessidades, para que possamos crescer e evoluir enquanto seres materiais e espirituais. É a energia de Oxóssi que vibra em nós, quando refletimos, buscamos o nosso interior, para compreendermos quem somos e quem queremos ser. É neste sentido que a energia de Oxóssi atua como Caçador de Almas que, com a sua flecha certeira, instrumento de fé, nos resgata, nos cura, derrotandoo pássaro gigante que habita dentro de nós , permitindo, assim, que possamos viver com a certeza de que Oxóssi nos guiará no caminho da Luz, sempre buscando, sempre partilhando, para que a fartura, a abundância sejam sempre celebradas por todos nós!
...Ninguém quer a raiva, ninguém quer a intranquilidade, mas por causa da ignorância somos acometidos por sentimentos como esses. A raiva faz-nos perder uma das melhores qualidades humanas, o poder de discernimento. Temos um cérebro bem desenvolvido, coisa que outros mamíferos não têm. Esse órgão permite-nos julgar o que é certo e o que é errado. Não apenas em termos actuais, mas em projecções para daqui dez, vinte ou mesmo cem anos. Sem nenhum tipo de pré-cognição, podemos utilizar o nosso bom senso para determinar o certo e o errado. Imaginar as causas e seus possíveis efeitos. Contudo, se a nossa mente estiver ocupada pela raiva, perderemos o poder de discernimento e tornar-nos-emos mentalmente incompletos. Devemos salvaguardar essa capacidade e, para tanto, temos que criar uma companhia de seguros interna: autodisciplina, autoconsciência e uma clara compreensão das desvantagens da raiva e dos efeitos positivos da bondade. Se refletirmos a respeito dessas questões com frequência, podemos incorporar a idéia e, então, controlar a mente.
Por exemplo: pode ser que você seja uma pessoa que se irrita facilmente com pequenas coisas. Com desenvolvida compreensão e consciencialização, isso pode ser controlado. Se você fica geralmente zangado durante dez minutos, tente reduzi-los para oito. Na semana seguinte, reduza para cinco e, no próximo mês, para dois. Depois, passe para zero. É assim que desenvolvemos e treinamos nossa mente. É o que penso e também o que pratico.
É perfeitamente claro que todos necessitam de paz interior, que só pode ser alcançada por meio da bondade, do amor e da compaixão. O resultado é uma família em paz, felicidade entre pais e filhos, menos brigas entre casais. Numa nação, essa atitude pode criar unidade, harmonia e cooperação com saudável motivação. A nível internacional, precisamos de confiança e respeito mútuos, discussões francas e amistosas, com motivações sinceras e um esforço conjunto no sentido de resolver problemas. Tudo isso é possível.
Precisamos, porém, mudar interiormente. Nossos líderes têm feito o melhor que podem para resolver nossos problemas, mas, quando um é resolvido, surge outro. Tenta-se solucionar este, surge mais um noutro lugar. Chegou o momento então de tentar uma abordagem diferente.
É certamente difícil realizar um movimento mundial pela paz de espírito, mas é a única alternativa. Caso houvesse outro método mais fácil e prático, seria melhor, porém não há. Se com armas pudessemos chegar à paz duradoura, muito bem. Transformaríamos todas as fábricas em produtoras de armamentos. Gastaríamos todos os dólares necessários, se conseguíssemos a definitiva paz, mas tal é impossível.
As armas não permanecem empilhadas. Uma vez desenvolvidas, alguém irá usá-las. O resultado é a morte de criaturas inocentes. Portanto, a única maneira de atingirmos uma paz mundial duradoura é por meio da transformação interior. E, mesmo que essa transformação não ocorra durante esta vida, a tentativa terá sido válida. Outros seres humanos virão; a próxima geração e as seguintes. E o progresso pode continuar. Sinto que, apesar das dificuldades práticas, e, mesmo correndo o risco de que tal visão seja considerada pouco realista, vale a pena o esforço. Assim, aonde quer que eu vá, expresso essas idéias e sinto-me muito motivado porque mais pessoas têm sido receptivas a elas.
Cada um de nós é responsável por toda a humanidade. Chegou a hora de pensarmos nas outras pessoas como verdadeiros irmãos e irmãs e nos preocuparmos com o seu bem-estar. Mesmo que você não possa sacrificar-se inteiramente, não deverá esquecer-se das dificuldades dos outros. Temos de pensar mais sobre o futuro em benefício de toda a humanidade. Se você tentar dominar os seus sentimentos egoístas e desenvolver mais bondade e compaixão, em última análise, você é quem irá sair beneficiado. É o que chamo de egoísmo sábio. Pessoas egoístas tolas só pensam em si mesmas, e o resultado é negativo. Egoístas sábios pensam nos outros, ajudam da melhor forma e também colhem os benefícios. Essa é minha simples religião. Não há necessidade de templos ou de filosofias complicadas. O nosso próprio cérebro, o nosso coração são nossos templos. A filosofia é a bondade.
No começo, o mundo era todo pantanoso e cheio de água, um lugar inóspito, sem nenhuma serventia. Acima dele havia o céu o Orum, onde viviam Olorum e todos os Orixás, que às vezes desciam para brincar nos pântanos insalubres. Desciam por teias de aranhas penduradas no vazio. Ainda não havia terra firme, nem o homem existia. Um dia Olorum chamou à sua presença Oxalá, o grande orixá. Disse-lhe que queria criar terra firme lá em baixo e pediu-lhe que realizasse tal tarefa. Para a missão, deu-lhe uma concha marinha com terra, uma pomba e uma galinha com pés de cinco dedos. Oxalá desceu ao pântano e depositou a terra da concha. Sobre a terra pôs a pomba e a galinha e ambas começaram a ciscar. Foram assim espalhando a terra que viera na concha até que terra firme se formou em toda a parte. Oxalá voltou a Olorum e relatou-lhe o sucedido. Olorum enviou um camaleão para inspeccionar a obra de Oxalá e ele não pode andar sobre o solo que ainda não era firme. O camaleão voltou dizendo que a terra era ampla mas ainda não suficientemente seca. Numa segunda viagem o camaleão trouxe a notícia de que a Terra era ampla e suficientemente sólida, podendo-se agora viver em sua superfície. O lugar mais tarde foi chamado de Ifé, que quer dizer ampla morada. Depois Olorum mandou Oxalá de volta a Terra para plantar árvores e dar alimentos e riquezas ao homem. E veio a chuva para regar as árvores. Foi assim que tudo começou. Foi ali, em Ifé, durante uma semana de quatro dias que Orixá Nlá criou o mundo e tudo o que existe nele. Obatalá cria o homem (…) Mas a missão não estava ainda completa e Oludumare deu outra dádiva a Obatalá: a criação de todos os seres vivos que habitariam a Terra. E assim Obatalá criou todos os seres vivos e criou o homem e criou a mulher. Obatalá modelou em barro os seres humanos e o sopro de Olodumare os animou. O mundo agora se completara. E todos louvaram Obatalá.
In "Mitologia dos Orixás"de Reginaldo Prandi, Ed. Companhia das Letras.
Esta lenda narra a história da criação do mundo e da humanidade: Olorum ( que é o Ser Supremo, Deus) incumbe a Oxalá a responsabilidade de criar a Terra. Depois da sua formação, estando ela pronta e em condições de acolher a vida humana, Oxalá recebe de Olorum (ou Olodumare) a tarefa sublime de criar o homem, a mulher, a humanidade. Oxalá é por isso o Orixá responsável pela existência de todos os seres do céu e da terra, é o Pai da humanidade. É o Pai Maior, Criador e Pacificador, detentor da Luz espiritual, é a energia que cuida de todos os seres do planeta, de todos os homens. Oxalá é também a Luz Divina que irradia os seus raios sobre todos os Orixás. A sua cor é o branco, representando a pureza, a paz e no branco se inserem todas as cores, todos os raios todos os Orixás, que a Ele estão ligados. Não nos esqueçamos que o Seu principal atributo é a Fé, a Fé que nos liga ao Ser Supremo, ao Divino Criador. Então, o que seria de nós sem a Fé? O que seria do Amor sem a Fé? O que seria da Justiça sem a Fé? É ela que, ao vibrar em cada um de nós, nos permite evoluir, crescer espiritualmente, para que tenhamos êxito naquilo que queremos, naquilo que precisamos e para o qual lutamos. E que melhor exemplo de Fé do que Jesus Cristo, que se despojou dos seus bens, curou os doentes, estendeu a mão aos desamparados e venceu a morte? Por isso a Sua imagem está presente em todos os Templos de Umbanda e está associada a Oxalá. É a mesma energia, a centelha divina que existe em cada um de nós, estimulando a busca espiritual, através da religiosidade, da caridade e de amor ao próximo e por tudo aquilo que Oxalá criou, num acto de Inspiração e de Fé!
A Umbanda nasceu no Brasil com local e hora marcada, mas hoje a Umbanda não é SÓ brasileira!
A Umbanda cada vez mais salta muros e barreiras, quebra tabus e atravessa fronteiras e torna-se de facto uma religião do mundo. A Umbanda, e fazendo uma analogia com a botânica, é como uma grande árvore, vamos ver: para se “criar” uma árvore, o que precisamos? SEMENTES, TERRA e ÁGUA… Na Umbanda, foi da mesma maneira: podemos chamar SEMENTES à sua raiz africana; podemos intitularde TERRA a ascendência indígena, dos índios até ai selvagens e de ÁGUA a parte dos precursores europeus que lhe deram forma, vida. Nesta adição de elementos, não adianta tirar ou substituir nenhum dos elementos, porque caso contrário, o resultado nunca seria o mesmo, experimentem!
A Umbanda é assim mesmo: é fusão, é assimilação, é miscigenação, é a busca do melhor que temos em nós, sem olhar à cor, raça, credo ou estrato social, tudo em prol de um BEM MAIOR, de IGUALDADE, num mundo cada vez mais assimétrico; do AMOR, num mundo cada vez mais egoísta; e da FÉ redentora, que por vezes, se rende à vaidade e ao dinheiro.
A planta germinou e, no meio de muitas outras que também estavam ali para vingar, começou a tomar corpo. Os tempos nem sempre foram favoráveis, porque períodos houve em que os terreiros eram cadastrados na sede da polícia local, bem ao lado de qualquer prostíbulo e muitas vezes perseguidos pelos residentes menos informados acerca da religiosidade ali praticada. Mas são estas dificuldades que nos fazem crescer cada vez mais e melhor.
A Umbanda cresceu, fez-se adulta e assim espalhou as suas raízes por todo o Brasil, chegando a todos os cantos onde há terra para viver. Já adulta, e na sua maturidade quase centenária, chegaram os ventos da propagação, foram ventos que chegaram, fruto da difusão do povo brasileiro num mundo cada vez mais pequeno e também de uma globalização à escala planetária, quase inevitável.
Hoje, essa árvore adulta e com os ventos a favor espalha por todo o mundo todas essas sementes que saíram dela própria, sementes essas que, por seu lado, já começam a germinar e algumas a formar corpo também.
Cruzando os imensos charcos que ladeiam a América, as sementes chegaram mesmo a outros continentes. Curiosamente, é em terras africanas que as sementes mais têm encontrado relutância em proliferar, mas, se já vi um grupo de Capoeira em plena capital senegalesa e praticada por habitantes locais, quer dizer que … quem sabe um dia destes… . Mesmo porque já vimos entidades da Umbanda a pisar as terras vermelhas australianas, já ouvimos o som dos atabaques no continente asiático, mais propriamente em solo nipónico. Na América do Norte, os índios de peles vermelhas já dão lugar aos da Amazónia através dos nossos Caboclos e no velho Continente, nessa panóplia de culturas e raças, encontramos o Axé espalhado por países culturalmente tão díspares como Portugal e Áustria, Espanha e Holanda, Inglaterra e Suíça, Alemanha e Escócia ou ainda, como França ou Suécia.
Hoje, de facto, a Umbanda é brasileira, mas só mesmo porque nasceu lá. Porque cada vez mais está a crescer e cada vez mais é uma Religião do MUNDO!
Em eras remotas, o cigarro tinha o dom de afugentar os maus espíritos. Em sagradas pajelanças, guerreiros recebiam lufadas de fumo exortando a força e a coragem. Fumar simbolizava comunhão, o cachimbo da paz, pórtico de enlevo para os céus, nos luares de todos os sertões. Curandeiros presidiam cultos utilizando-se do tabaco, e o fumo e seu incenso irmanavam cânticos e danças em litúrgicas bênçãos. (Romildo Sant’Anna)
O Homem utilizou desde sempre o fumo e os seus odores sob a forma de oferendas, em agradecimento aos seus Deuses e, também, como meio de purificação de ambientes, pessoas e depuração das energias.
Desde a antiguidade que as libações de incenso são utilizadas, e hoje como antes, os efeitos de um bom incenso, preparado magicamente, podem ter os mais variados usos, trazendo paz de espírito, prosperidade e limpeza. Associa-se o uso dos incensos à purificação e à elevação a Deus, gerando a fumaça bem-estar e protecção. Encontramos, assim, a origem do uso xamânico do fumo como "Erva Sagrada" enteógena (que leva a Deus).
Na espiritualidade, o poder do incenso mostra-se ainda mais amplo e a sua função de limpeza imprescindível, num conjunto de energias transmutadas de ervas, litúrgicas ou não, que, de acordo com suas funções, ocasionam uma grande mudança na nossa percepção e disposição, porque o incenso limpa e facilita o nosso acesso a um padrão vibratório mais propício à prática litúrgica.
Se a defumação é sagrada e consagrada pelo mundo inteiro, desde os monges tibetanos até os padres católicos, o turíbulo (pequeno incensário feito de metal ou barro) do Guia é o charuto, o cachimbo ou o cigarro. Faz parte da cultura indígena e, por extensão, da Umbanda. Não devemos confundir a fumaça do charuto com a defumação através de ervas. Ambas têm funções importantes na religião, mas são usadas de forma diferente pelos guias espirituais. Estes não fumam no sentido vulgar da palavra, usam o fumo e a fumaça para fazer uma defumação direccionada, unindo o sopro, intenção e elemento para alcançar o resultado pretendido, seja pelo charuto do caboclo ou do exu, pelo cachimbo do preto-velho ou pelo cigarro do baiano. Para os xamãs “pelo sopro Deus fez o homem”; o sopro, nosso vento pessoal, é um dos mais importantes ingredientes de cura para os xamãs e para muitas outras tradições, pois o sopro liberta-nos, dá-nos vida. O fumo comporta em si os 4 sagrados elementos; terra (pela sua origem vegetal), fogo (quando aceso), ar (onde se desenvolve a fumaça) e água (na sua humidade relativa). Estes elementos e a sua transmutação serão abordados em artigo a publicar oportunamente, cabendo-nos agora centrarmo-nos no uso do fumo litúrgico nos seus diversos aspectos.
PARTE I: Fumaça e Defumação
Ninguém sabe quando a humanidade começou a usar as plantas aromáticas. Há evidências do período Neolítico de que ervas aromáticas eram usadas em culinária e medicina, e que ervas e flores eram enterradas com os mortos. A fumaça ou fumigação foram provavelmente um dos usos mais antigos das plantas, como parte de oferendas rituais aos deuses. Gradualmente, um conjunto de conhecimentos sobre as plantas foi acumulado e passado a centenas de gerações de xamãs, assim como as lendas associadas à Criação, como a mítica história das deusas pássaro. Eram utilizadas em rituais religiosos e mágicos, assim como nas artes curativas.
Origens e Religiosidade
Os sacerdotes e sacerdotisas Egípcios eram as únicas pessoas que tinham acesso a estas preciosas substâncias. Quando o Egipto se fez um país forte, os seus governantes importaram de terras distantes incenso, sândalo, mirra e canela. Os faraós congratulavam-se em oferecer às deusas e aos deuses enormes quantidades de madeiras aromáticas, gomas, resinas e perfumes de plantas, queimando milhares de caixas desses materiais preciosos. Todas as manhãs as estátuas eram untadas pelos sacerdotes com óleos aromáticos. Queimava-se muito incenso nas cerimónias do templo, durante a coroação dos faraós e rituais religiosos. Queimavam-se também em enterros, para neutralizar odores e afugentar maus espíritos.
Os Sumérios ofereciam bagas de junípero como incenso à deusa Inanna. Mais tarde, os Babilónios perduraram rituais, queimando esse suave aroma nos altares de Ishtar. Acreditava-se que a direcção que a fumaça levantava determinaria o futuro – se a fumaça se movesse para a direita, a resposta era o êxito; se movesse para a esquerda, a resposta era o fracasso.
A Aromaterapia tem sido uma parte essencial do ritual religioso hindu e budista desde o tempo dos Vedas, cuja idade pode ser estimada em 5.000 a.C. O incenso favorece um estado meditativo, por isso ele também foi incorporado pelos budistas, que são naturalmente adversos a rituais externos. É usado na iniciação de lamas e monges e é oferecido aos bons espíritos nos cultos diários.
Os Gregos e Romanos acreditavam que as plantas aromáticas procediam dos deuses e deusas. Queimavam o incenso como obrigação e para protecção das casas. Em Roma, usava-se nas ruas e em especial na adoração do Imperador. O povo chegou a consumir tantos materiais aromáticos que, no ano de 565, foi decretada uma lei que proibia utilizar essências aromáticas pelas pessoas, com medo de não se ter suficiente incenso para queimar nos altares das divindades.
Os nativos Americanos, vivendo em harmonia com a terra, sempre a reverenciaram como geradora de vida. Desde há muito que conhecem as propriedades de cura das plantas, usadas em tendas de suor, dança do tambor, etc. Queima-se salva branca, cedro, pinho e resinas para limpeza de objectos e rituais de adoração. São usadas para a saúde e o bem-estar da tribo.
Também para o povo Judeu, o incenso tinha um significado de honra a Deus ou a um Rei. Diz o Salmo 140: "Que minha oração suba até vós como o fumo do incenso." (v.2) Na sua Sagrada Liturgia, o incenso passou a incensar o Santíssimo Sacramento e demais sinais litúrgicos (o altar, a cruz, as santas imagens, os sacerdotes, os fiéis), e passou a ter um simbolismo litúrgico próprio. De acordo com o Zohar (livro sagrado para os judeus cabalistas), oferecer incenso é a parte mais preciosa do serviço do Templo para os olhos de Deus. A honra de conduzir este serviço é permitida somente uma única vez na vida. Diz-se que quem teve o privilégio de oferecer o incenso está recompensado pela sorte com riqueza e prosperidade para sempre, neste mundo e no seguinte.
Na Idade Média, os boticários queimavam ervas e sais contra a peste.
E como esquecer a maravilhosa história Cristã dos três Reis Magos, que presentearam com o Líbano e a Mirra o Mestre Jesus, quando ele nasceu?
Essas resinas aromáticas tornaram-se essências, transformadas em incenso, de grande importância e fragrância.
A defumação nas religiões Afro-brasileiras
Para o índio nativo, o fumo provinha de plantas sagradas e a sua fumaça curava as doenças, proporcionando o êxtase, dando poderes sobrenaturais e pondo o pajé em comunicação com os espíritos. Deste modo, podemos considerar que a adopção da fumaça como um elemento ritual importante e depois como terapia é uma herança do xamanismo. Deste, foram preservadas as ervas e raízes nativas como base dos trabalhos e na prática da fumigação magisticamente preparada.
Um dos primeiros fundamentos litúrgicos encontrados em algumas religiões como o Tambor-de-Mina, o Catimbó, ou o Batuque é o uso da defumação para curar doenças ou o emprego do fumo para entrar em estado de transe, no sentido da comunicação com o mundo dos espíritos, entre os quais a alma viaja durante o êxtase.
Estas influências indígenas vão ter reflexo, mais tarde, nos Candomblés de Caboclo e, anos depois, na Umbanda, carregando esta, de igual modo, também uma herança transposta quase directamente da cultura indígena para a sua liturgia específica.
A defumação na Umbanda
A defumação é essencial para qualquer trabalho num terreiro de Umbanda, bem como nos ambientes domésticos. Este ritual é praticado com o objectivo de purificar o ambiente (terreiro/residência), bem como o corpo do médium e a assistência (pessoas que irão participar da gira), purificando e depurando as energias existentes e preparando o local para que o trabalho possa decorrer em harmonia.
A defumação é feita com carvão em brasa, dentro de um turíbulo (pequeno incensário feito de metal ou barro), colocando-se no recipiente as ervas secas escolhidas. Ao queimarmos as ervas, libertamos em alguns minutos de defumação todo o poder energético aglutinado em meses ou anos absorvido do solo da Terra, da energia dos raios de sol, da lua, do ar, além dos próprios elementos constitutivos das ervas. Deste modo, projecta-se uma força capaz de desagregar miasmas e larvas astrais que dominam a maioria dos ambientes humanos, produto da baixa qualidade de pensamentos e desejos, como raiva, vingança, inveja, orgulho, mágoa, etc.
Existem diferentes tipos de ervas para cada objectivo que se tem ao fazer-se uma defumação que, associadas, permitem energizar e harmonizar pessoas e ambientes, pois ao queimá-las, produzem reacções diversas no plano imaterial. Há vegetais cujas auras são agressivas e repulsivas, e que afastam alguns desencarnados de vibração inferior, servindo de barreiras fluídico-magnéticas.
Outros, harmonizando o ambiente, ajudam o médium e o consulente a captarem com mais qualidade as energias superiores, mantendo a mente da pessoa mais concentrada e propícia a esta percepção.
A Defumaçãoé assim um processo activo do exercício da mediunidade de cada ume parte importante da Liturgia da Umbanda, devendo ser feita com muito rigor e cuidado.
“A FUMAÇA SAGRADA”
PARTE II: “Fumaça de Sopro”
“Quando o mundo ainda não estava pronto, já havia Imîkoho-yeki, o Avô do Mundo. Ele andava sozinho enquanto pensava em como ordenar o mundo.
Sem encontrar solução, ele foi à Casa do Céu. Lá, acendeu um cigarro enquanto meditava. Foi então que da fumaça do cigarro surgiu uma mulher. Ela era Ye'pâ-masó, aquela que seria conhecida como a Avó do Mundo e do Surgimento.
O Avô do Mundo ficou contente e entregou à mulher os instrumentos da vida e do “surgimento” que possuía: cigarros, cuias, um banco, e outras coisas. A Avó do Mundo, Ye'pâ-masó, desceu até a terra, onde surgiram três bancos com os desenhos do “banco da vida”. Ela sentou-se e começou a fumar o seu cigarro.
Da primeira baforada surgiram Imîkoho-masí e Ye'pa-masí. Os dois foram os primeiros a viver na terra e deram início a todos os homens que vieram depois. (…)”
(História da Criação do Mundo dos índios Tukano, que vivem na região noroeste do Amazonas, perto do rio Uaupés.)
O hábito de fumar (folhas de tabaco ou outras plantas) já era bastante antigo entre alguns grupos indígenas, autóctones, como atestam alguns cachimbos encontrados em escavações arqueológicas, pressupondo o uso religioso e ritual do fumo. Por outro lado, há relatos do uso do tabaco entre os indígenas desde a chegada dos primeiros europeus ao continente Americano. O registado foi que os índios "bebiam fumo", já que o verbo "fumar" só passou a ser utilizado a partir do século XVII.
A partir da Conquista, o uso do tabaco espalhou-se rapidamente por todo o território Americano. Vários grupos indígenas que não costumavam fumar passaram a fazê-lo, assim como os escravos provenientes da diáspora negra africana e o próprio europeu, adaptado a novos costumes numa nova terra. A finalidade do uso do tabaco também se alterou na generalização do seu consumo, e os indígenas passaram a fumar mais no dia-a-dia para recreação e prazer, para além do uso ritualístico como propósito inicial.
Sequencialmente, alguns integrantes da expedição de Cristovão Colombo levaram o tabaco para a Europa, e rapidamente se espalhou o gosto pelo seu uso.
Apesar de ter sido um padre francês, André Thévet, quem introduziu e começou a cultivar o tabaco no sul de França, quando o tabaco chegou à Europa muitos viram no uso dessa planta um pecado (talvez pela relação com a passagem bíblica na qual Jesus diz que o “mal é o que sai da boca do homem”). Em 1603, James I da Inglaterra proíbe o tabaco "cujo fumo negro e fedorento evoca o horror de um inferno cheio de carvão e sem fundo". Na Rússia, o tzar Miguel Fedorovich fazia cortar os narizes dos tomadores de petún (palavra tupi que significando “fumo”, servia na época para chamar o tabaco moído para aspirar, ou “rapé”). A Igreja Católica também actuou e em 1621, Urbano VIII excomunga os fumadores dizendo-os culpados de usar uma substância tão degradante para a alma como para o corpo. Apesar do estigma demoníaco que durante esse século recaiu sobre o tabaco, o médico francês Jean Nicot utilizou a planta para curar as enxaquecas de Catarina de Médicis, a esposa do rei Henrique II, e o uso popularizou-se tanto que hoje conhecemos a planta pelo nome com que o botânico sueco Lineu homenageou seu divulgador: Nicotiniana tabacum. Em 1732 o Papa Bento XIII, fumante inveterado, revogou os éditos que proibiam o uso da planta no mundo cristão, enquanto a Rússia, a Turquia e a China ainda sentenciavam aos fumantes com a pena capital.
A diferença radical entre o uso tradicional e litúrgico do tabaco e o consumo do cigarro industrial consiste em que, nas culturas indígenas, o uso do tabaco propõe finalidades rituais e terapêuticas. O tabaco, sendo uma planta mágica para os povos nativos, porque "torna visível o alento", está presente em grande parte da tradição ancestral, nas lendas e mitos dos povos indígenas. O propósito do uso litúrgico tabaco consiste em expelir a fumaça do cachimbo, cigarro ou charuto, com finalidade determinada, contrariamente ao consumo rápido do fumo do cigarro, compulsivamente aspirado.
O Uso Litúrgico do “fumo soprado”
O fogo foi reconhecido pelos antigos habitantes da América e Ásia como um transmutador e libertador do poder de certas substâncias, tornando-as mais activas. Tinham diferentes misturas fumáveis dependendo das necessidades do ritual e da estação. O tabaco era utilizado por suas propriedades para concentrar o pensamento em si mesmo ou em algum assunto específico, o qual era uma preparação prévia para poder escutar aos espíritos guias, aos espíritos da natureza e aos seres que habitam em outras dimensões ou planos de consciência.
O fumo era considerado assim pelos povos primitivos como um elo de ligação do Homem com os seres sobrenaturais. A fumaça, subindo aos céus, transportava preces místicas.
Entre os índios Pampas existia uma cerimónia em que o feiticeiro da tribo, possuído pelo "anhangá-tupi" e depois de se ter regalado com um ovo de ema, aspirava fumo até se extasiar com sua "essência sagrada". Pela boca do adivinho, "anhangá" dava conselhos à tribo, sendo depois aclamado por todos. Entre as tribos norte-americanas, o fumo também estava intimamente ligado ás cerimónias religiosas e para eles, era considerado sagrado. As tribos do norte estendiam a veneração desta ao aparelho chamado "calumet" (ou cachimbo-da-paz), que, quando soprado contra o sol, imprimia um cunho religioso a todas os pactos políticos e sociais. Uma parte importante na sacralidade de fumar estava no seu uso em grupo, dentro de uma cerimónia, para estreitar os laços entre grupos ou pessoas. O fundamento estava na mistura e integração das diversas energias ao inalar a mesma fumaça. No términos de uma guerra tribal, passar o cachimbo-da-paz era uma forma de cimentar a união, e deixar de lado as diferenças.
Os antigos indígenas acreditavam que as plantas nativas das diversas regiões teriam sido criadas pelos espíritos da natureza para satisfazer as necessidades específicas das pessoas e animais nativos de cada área. Nestas circunstâncias se depreende que as diferentes tribos faziam uso de diferentes plantas para um fim semelhante, dependendo da localidade e do propósito da cerimónia, sabendo os xamãs quais delas utilizar, para cada ocasião. A salva, com pelo menos 20 variedades distintas, tal como outros ingredientes comuns como a lavanda ou o girassol, e cascas de diferentes árvores e plantas secas imbuídas de propriedades psico-activas, eram amplamente utilizadas. Cada uma delas era recolhida com mesura pelos xamãs que sabiam quais eram as suas atribuições, quando podiam ser colhidas e como secá-las ao sol para que absorvessem suas propriedades energéticas. Nos rituais de preparação, o tabaco e todas estas plantas eram alteradas, purificadas e elevadas de vibração com o auxílio de preces e invocações aos espíritos.
Estes conhecimentos, procedendo de origem ameríndia, como refere Antoine Yan Monory, iriam influenciar o uso também tradicional do fumo nos cultos religiosos afro-brasileiros, sem dúvida ligado ao facto dos negros escravizados, além do contacto com os costumes indígenas, terem sido a principal mão-de-obra no cultivo das plantações de tabaco.
A “fumaça de sopro” nas religiões Afro-brasileiras
Curandeiros presidiam cultos utilizando-se do tabaco, e o fumo e seu incenso irmanavam cânticos e danças em litúrgicas bênçãos. Exaltando seus vigores curativos, Manuel da Nóbrega escreveu que Deus remediou nossas dificuldades “com uma erva cujo fumo muito ajuda à digestão e a outros males corporais, e a purgar a fleuma do estômago”. (Romildo Sant’Anna)
A fumaça utilizada como limpeza é a mais antiga e é também a mais popular do meio xamânico, para purificar pensamentos, sentimentos e espíritos.
Esta herança marca a sua presença directa, como já foi referido, em algumas religiões como o Tambor-de-Mina, o Catimbó, ou o Batuque, com influência mais tardia nos Candomblés de Caboclo e na Umbanda, pelo emprego do fumo “soprado” para curar doenças, como instrumento de trabalho do mundo dos espíritos.
A “fumaça de sopro” na Umbanda
Se todas as plantas são consagradas por Ossãe, não poderemos deixar também de estabelecer uma certa ligação da utilização do fumo dessas folhas com Omulu e Obaluaiê, na sua ligação e atribuições entre a doença e a cura.
Dentro do conceito elemental, o fumo é o vegetal que traz os elementos terra e água, e que, quando utilizado pelas entidades espirituais em seus instrumentos de fumaça, adiciona os elementos ar e fogo.
Estas entidades não “fumam” no sentido vulgar da palavra; usando o fumo para fazer uma defumação direccionada, unindo o sopro, intenção e elemento para alcançar o resultado ambicionado.
O Sopro por si só traz efeitos terapêuticos e espirituais extraordinariamente eficazes nos trabalhos de cura e limpeza. Potenciado pelo fogo imantado com essência das plantas, cria através da “fumaça soprada” pelas entidades, aliada ao pensamento e à reflexão interior, processos físicos que restauram o equilíbrio e harmonia, desagregando energias de baixa vibração.
Além disso, o fumo ajuda também na criação de ambientes vibratórios específicos ao trabalho dos guias de Umbanda, nas suas variadas atribuições e capacidades.
A “fumaça de sopro” é assim um instrumento de trabalho altamente magístico, e o seu uso pelas entidades deve ser muito respeitado.
Se nem todas estas atribuições e conceitos fazem parte de um consenso dentro do Universo Umbandista, também é verdade que tais factos devem ser estudados e analisados, além de sensibilizados médiuns, assistentes, simpatizantes e outros que por um motivo ou por outro são deparados com uma gira de Umbanda, paraque não se caia no erro de desmantelar a verdadeira caridade prestada pelas entidades e mentores espirituais que, utilizando as ferramentas que lhes são oferecidas, se esforçam por trazer aos seus filhos de fé um bálsamo para suas dores.
Gostaria de lembrar que os Orixas devem serhomenageados em todos os dias de nossas vidas, não apenas como Divindades da Umbanda, mas cultuados em nosso Ser, fazer com que realmente cada Orixá faça parte de nós.
Então eu diria que temos que Ser: Como Exu, e levar aos Orixás, os pedidos do Homem e trazermos ao Homem o merecimento de seu pedido, ou o caminho para ser alcançado.
A força de Ogum para nunca desistirmos do que acreditamos;
Amarmos a todos verdadeiramente como Oxum mostra em alguns mitos;
Sermos como Oxoce, o eterno caçador que busca dentro e fora de seus domínios;
Justos com tudo e todos, mesmo que a verdade nem sempre esteja do lado que gostaríamos, assim ensina Pai Xangô;
Lembrarmos que Iemanja, é Mãe que dá a vida, cuida, que educa e que prepara-nos para vencer;
A Cura de Obaluaie está também em reflectirmos sobre nossas imperfeições, e tentarmos curar algumas feridas e doenças como: Egoísmo, medo, falsidade, mentira e tantas outras;
Devemos acreditar que somos capazes, e terFé em Oxalá de que tudo é possível, e que o limite é aquele em que acreditamos, e como consequência até onde chegamos...
Uma das características da Umbanda que mais fascina e, simultaneamente, mais assusta as pessoas que frequentam um Templo Umbandista é a mediunidade; mais especificamente as incorporações.
O termo mediunidade foi criado pelo codificador do espiritismo, Allan Kardec, no final do século XIX, querendo assim designar a capacidade do ser Humano em comunicar-se com o plano astral, sendo designado por médiumtodo o indivíduo capaz de servir de meio de comunicação ou intermediário entre o plano físico e o plano astral. O fenómeno mediúnico caracteriza-se pela cedência do corpo e da mente, por parte do médium a outra inteligência, a outro espírito. Ou seja, o médium percebe ou capta a presença de espíritos, de seres e de energias de outros planos astrais.
Aqui coloca-se uma questão: todas as pessoas são médiuns? Existe alguém que de alguma forma não tenha alguma interacção, ou que não sofra nenhuma influência de outros planos, dos espíritos, e que por tal não seja considerado médium? Certamente a resposta será que, de uma forma ou de outra, sempre seremos influenciados, e sentiremos a presença de outras energias e espíritos, considerando-se por isso que todos os seres humanos são médiuns. No entanto, é necessário distinguir a “mediunidade comum” da “mediunidade de trabalho”. Para além da intuição e da sensibilidade às energias que nos rodeiam, que são consideradas as manifestações mais comuns da mediunidade e que todos possuímos em maior ou menor grau, existem outras formas de manifestação da mediunidade que permitem que um individuo sirva de meio de comunicação directa entre os planos astral e físico, possibilitando que os espíritos, guias ou entidades expressem a sua vontade, força e palavras de forma inteligível. São estas formas de mediunidade que são consideradas “mediunidade de trabalho” entre as quais contamos com a incorporação, a vidência, a psicografia, a mediunidade de cura, entre outras. Mas é importante esclarecer que a “mediunidade de trabalho” em hipótese alguma constitui um dom ou uma dádiva ou torna alguém melhor, mais especial ou abençoado que os seus semelhantes. É sim, uma faculdade que nos foi atribuída por Deus, para que através da mesma possamos resgatar as nossas dívidas kármicas e simultaneamente transmitir a vontade e a força dos Orixás, permitindo que outros espíritos possam receber a ajuda das energias divinas e evoluir. Ou seja, o médium é um espírito igual a todos os outros, e como todos, deve buscar o seu aprimoramento, abdicando das suas vaidades, orgulhos e do seu egoísmo. É um ser que dentre inúmeras ferramentas que os Orixás nos dão, recebe a ferramenta chamada mediunidade. Mas, ao mesmo tempo em que não é um dom com certeza é uma responsabilidade, pois deverá fazer bom uso da sua faculdade. Se a mediunidade é um instrumento, uma ferramenta, cabe a cada médium, utilizá-la com muita fé, amor e responsabilidade. Ser médium implica uma profunda reforma íntima, designadamente a nível moral, de valores e atitudes, ou seja, da forma de ser e estar na vida. Assumir a responsabilidade do exercício da mediunidade é assumir o caminho da rectidão, da fé e do amor incondicional.
Muito mais há para dizer sobre a mediunidade, mas fica para uma próxima oportunidade.
Olorum, ofendido pela rebeldia dos orixás, prende a chuva no orum (Céu), deixando que a seca e a fome se abatam sobre o aiê (a Terra). Os orixás, revoltados com tal atitude, foram suplicar-lhe que devolvesse a chuva à terra, não tendo no entanto conseguido o perdão de Olorum. Oxum oferece-se para ir ao Orum falar com Olorum. Gozada pelos outros orixás, que não acreditavam que ela conseguisse tal feito, Oxum transforma-se em pavão, voa até ao Deus Supremo, para suplicar ajuda. À medida que vai aproximando-se do sol, as suas penas enegrecem e caem e os raios vão queimando sua pele.Fica de tal forma queimada pelo sol e sem penas, que de um pavão belo e majestoso passou a ser um abutre.No entanto, alcança o Orum e quando chega a casa de Olorum, este lhe pergunta o porquê de tal sacrifício. Ela lhe responde que enfrentou o perigo pelo amor à humanidade e às crianças. Então,Olorum, comovido pela determinação e bravura de Oxum, devolve a chuva ao Aiê, tornando as terras férteis e prósperas outra vez!
Esta lenda mostra, através de uma linguagem simples e inteligível, o que o Orixá Oxum representa: a energia do Amor, o amor pela humanidade, pelos irmãos, a energia do amor maternal, o amor de mãe, que ampara, que protege, que pelos seus filhos enfrenta qualquer perigo; é a energia que comove, que faz chorar e que conquista a riqueza e abundância; é o Orixá ligado à concepção da vida, é a energia da fertilidade, fecundidade,representada pela água que volta à terra, tornando-a de novo rica e fértil, para ser fecundada, ganhar vida e tornar-se próspera de novo!
Xangô e seus homens lutavam com um inimigo implacável. Os guerreiros de Xangô, capturados pelo inimigo, eram mutilados e torturados até à morte, sem piedade nem compaixão. As atrocidades já não tinham limites.
O inimigo mandava entregar a Xangô os seus homens aos pedaços. Xangô estava desesperado e enfurecido. Então, subiu no alto de uma pedreira perto do acampamento e dali consultou Orunmilá sobre o que fazer. Xangô pediu ajuda a Orunmilá.
Xangô estava irado e começou a bater nas pedras com o oxé, o seu machado duplo. O machado arrancava das pedras faíscas, que acendiam no ar famintas línguas de fogo, que devoravam os soldados inimigos. A guerra perdida foi se transformando em vitória.
Xangô ganhou a guerra. Os chefes inimigos que haviam ordenado o massacre dos soldados de Xangô foram dizimados por um raio que Xangô disparou no auge da fúria. Mas os soldados que sobreviveram foram poupados por Xangô.
A partir daí, o senso de justiça de Xangô foi admirado e cantado por todos.
Através dos séculos, os Orixás e os homens têm recorrido a Xangô para resolver todo o tipo de pendência, julgar as discordâncias e administrar justiça.
In "Mitologia dos Orixás"de Reginaldo Prandi, Ed. Companhia das Letras.
Esta lenda de Xangô revela, de uma forma clara, um dos fundamentos ligados a este Orixá: a justiça! Não uma justiça terrena, no sentido do julgamento humano, mas uma justiça baseada no sentido divino, que se traduz na seguinte expressão: “quem deve paga, quem merece recebe!” Quando o Orixá se revolta contra as atrocidades , bate com o seu machado nas pedras e o fogo divino que daí sai, traz com ele a vitória merecida. Nesta passagem, percebemos que a energia do Orixá está presente no fogo, nos trovões, sendo as pedreiras o seu ponto de força e que a sua representação está ainda associada a um machado com dois lados iguais, o Oxé. Tal como mostra a lenda, é através da força do seu machado que o Orixá acaba com as pendências e as discórdias. Como o seu machado, Xangô carrega o conhecimento dos dois lados, das duas lâminas, igualmente afiadas, mas coloca-se no centro, em perfeito equilíbrio. É a força de Xangô, providenciando para que a lei da acção e reacção, a lei kármica se façam cumprir, para que o equilíbrio seja restaurado, para que a justiça divina se faça sentir! Kaô kabiecilê Xangô!